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Documentário Cildo e Reginaldo Faria dominam terceiro dia de Gramado

GRAMADO ¿ A homenagem ao ator Reginaldo Faria e o documentário ¿Cildo¿, sobre o artista plástico brasileiro Cildo Meireles, foram os destaques da noite desta terça-feira (12) no Festival de Gramado. Emocionado, Faria agradeceu no palco do Palácio dos Festivais ao irmão, o diretor Roberto Farias, que o apresentou ao cinema, e, http://ultimosegundo.ig.com.br/festival_gramado2009/2009/08/11/reginaldo+faria+denuncia+censura+velada+na+producao+de+cinema+no+brasil+7816967.htmlcomo havia feito à tarde, criticou a indústria cinematográfica do País.

Marco Tomazzoni, enviado a Gramado |

Edison Vara/ PressPhoto

Reginaldo Faria ergue o troféu Oscarito

Reginaldo recebeu o troféu Oscarito pelo conjunto da carreira, iniciada há 50 anos, e comentou a influência do inspirador do prêmio em sua vida. Esse troféu pesa, mas é o peso da obra de Oscarito, disse. Na época da Atlândida, via nele a chama dos grandes atores. Tentei ser como ele, mas jamais consegui.

O ator ainda lembrou a experiência entre a vida e a morte que sofreu em 2005, quando passou 20 dias em coma, após uma angioplastia mal-sucedida. Justamente por ter conseguido contornar o problema, Reginaldo nem pensa em parar de trabalhar. Se eu morresse, ia morrer sonhando que fazia cinema. Não estou aqui pelas coisas que fiz, mas pelo que ainda quero fazer.

A falta de recursos, no entanto, vem impedindo que o ator dê início a um novo projeto, o que ele atribuiu a um dirigismo cultural que toma conta do País. Quem compra um ingresso não sabe a dificuldade que é fazer cinema no Brasil. Mas eu sou teimoso, acredito no cinema brasileiro e estou aqui.

A obra de Cildo Meireles

Divulgação

Cildo Meireles em cena do documentário

Na mostra competitiva nacional, foi exibido o primeiro documentário da seleção. Cildo enfoca a vida e obra do carioca Cildo Meireles, um dos mais celebrados artistas plásticos brasileiros no exterior. A admiração é tanta que Meireles recebeu uma retrospectiva no conceituado museu Tate Modern, em Londres, onde o filme teve sua estreia mundial, no início do ano.

Dirigido por Gustavo Moura, Cildo mergulha fundo na obra do artista. A câmera passeia pelas instalações de Meireles, tentando passar ao espectador as sensações que elas provocam ao vivo, de forma tátil, sonora e física. Os longos planos por detalhes de obras como Desvio para o Vermelho (uma sala branca repleta de objetos rubros), Missão/Missões (composta de moedas, hóstias e ossos) e a perturbadora Através, em que o visitante pisa sobre cacos de espelhos, querem provocar o mesmo estranhamento original.

Porém, a insistência das imagens cansa e parece estar só em busca do apuro estético, de enquadramentos interessantes, como se o artista não tivesse mais nada a dizer. E ele tem, como comprovam as entrevistas e os bastidores nas montagens de exposições. Com produção intensa desde a década de 1970, Meireles sempre quis fugir do repertório da arte contemporânea, como ele admite, e enveredou por trabalhos diversos para tirar o espectador do museu. Daí, surgiram coisas inusitadas como o disco Sal Sem Carne, de denúncia do massacre da tribo Krao, e a nota de Zero Cruzeiro, que estampa o louco e o índio, os excluídos do País.

A falta de um roteiro mais objetivo, que o diretor afirma não ter utilizado nas filmagens, atrapalha o ritmo do documentário ¿ a falta de paciência das dezenas de pessoas que deixaram o Palácio ao longo da exibição é uma boa prova. Está certo que Meireles admite em determinado momento que a arte conceitual democratizou o fazer artístico ao permitir que se faça qualquer coisa a partir do nada, mas não é o caso aqui. De qualquer forma, apesar das falhas, Cildo é obviamente indispensável para quem busca decifrar o trabalho do artista.

Nesta quarta-feira (12), a competição brasileira continua com outro documentário, Corumbiara, de Vicent Carrelli, e o concorrente da mostra latina será a comédia colombiana "Nochebuena". O diretor Walter Lima Jr. ("Os Desafinados", "A Ostra e o Vento") receberá o troféu Eduardo Abelin, conferido a cineastas.

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