Disney aposta em sucesso das arábias

Apesar das desvantagens, estúdio pretende transformar Príncipe da Pérsia em seu novo Piratas do Caribe

Guss de Lucca, iG São Paulo |

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Jake Gyllenhaal como o príncipe Dastan: herói carrega nos ombros o sucesso de uma nova franquia
Nova parceria do estúdio Jerry Bruckheimer Films com a Walt Disney Pictures, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo , que estreia esta semana no Brasil, tem como objetivo repetir o feito de Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra , longa-metragem que em 2003 deu início à "franquia pirata" que rendeu aos seus produtores nada menos que US$ 2,7 bilhões. Porém, alguns fatores curiosos tornam improvável o sucesso desta possível "franquia das arábias".

Enquanto Piratas do Caribe foi inspirado no popular brinquedo existente em diversos parques da Disney, Príncipe da Pérsia traduz para a telona a série de jogos de videogame homônima, criada em 1989 pelo desenvolvedor de games Jordan Mechner - que também foi responsável pelo roteiro do longa-metragem.

Essa é a primeira desvantagem da nova franquia: diferente do que ocorreu com a mitologia dos bucaneiros, que era praticamente inexistente e pôde ser apresentada ao público como uma caixa de surpresas, a do monarca persa já possui uma legião de fãs oriunda dos videogames - que além das ressalvas a alguns dos títulos lançados, considerados muito fracos, têm uma série de jogos para comparar com a versão cinematográfica.

O cenário onde é desenvolvida a trama talvez seja a segunda desvantagem de Príncipe da Pérsia . Apesar de possuir uma das literaturas mais ricas da História, a cultura árabe em geral não faz parte do imaginário popular ocidental - ao mesmo tempo em que os piratas, com suas barbas compridas, pernas de pau e garrafas de rum, são figuras populares nos quatro cantos do mundo - fato inclusive utilizado no terceiro filme da franquia Piratas do Caribe , No Fim do Mundo , em que a "nação pirata" é retratada por elementos dos quatro continentes.

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Química entre anti-herói (Johnny Depp) e mocinho (Orlando Bloom) é um dos trunfos de Piratas do Caribe
Mas o calcanhar de Aquiles de Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo é seu elenco. Se o trunfo de Piratas do Caribe foi a figura do anti-herói Jack Sparrow, pirata interpretado pelo ator Johnny Depp - que declaradamente inspirou-se nos trejeitos do roqueiro Keith Richards, dos Rolling Stones -, a aposta em Jake Gyllenhaal para o papel do heróico príncipe Dastan deve impedir qualquer possibilidade de transformar o personagem em ícone pop.

Um dos fatores que permitiu que o capitão Sparrow se tornasse um fenômeno foi a existência de outro personagem desempenhando o papel de mocinho - no caso Will Turner, interpretado por Orlando Bloom. Em Príncipe da Pérsia , Jake Gyllenhaal tornou-se refém do herói da história, tendo que seguir à risca o pacote do bom moço hollywoodiano: apaixonar-se pela donzela, dar um bom exemplo aos espectadores e confrontar o vilão são exemplos do que ele precisa inevitavelmente fazer.

Tudo isso somado ao fraco desempenho do ator, conhecido por personagens apáticos de filmes como Donnie Darko , Soldado Anônimo e Zodíaco , acaba atrapalhando as apostas em Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo , que dificilmente vai bater os US$ 650 milhões do primeiro Piratas do Caribe , filme cuja franquia que deve voltar a fazer barulho em 2011 com o lançamento de sua quarta parte, cujo título internacional é On Stranger Tides - algo como Em Marés Estranhas .

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