Estúdios implantam medida que diminui tempo de exclusividade de salas de cinema de 120 para 60 dias

James Cameron, um dos assinantes da carta
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James Cameron, um dos assinantes da carta
Um grupo de mais de 20 diretores de cinema, incluindo James Cameron, Peter Jackson e Robert Zemeckis, escreveu um manifesto contra a iniciativa dos estúdios de Hollywood de liberar os filmes para download caseiro enquanto eles estão sendo exibidos. A estratégia diminuiu o tempo de exclusividade dos cinemas, dos atuais 120 para apenas 60 dias.

A tática é uma maneira da indústria compensar a queda na venda de DVDs. Quatro dos grandes estúdios já decidiram adotar o novo prazo: Sony Pictures Entertainment, 20th Century Fox, Universal Studios e a Warner Bros. A comédia "Esposa de Mentirinha", com Adam Sandler e Jennifer Aniston, já entrou para download na última semana, 70 dias após seu lançamento.

Com a carta, os diretores se unem ao protesto dos donos de cinema, que argumentam que a medida vai diminuir a audiência e aumentar a pirataria. O documento diz que a mudança no sistema de lançamentos pode "acabar com o modelo financeiro da indústria cinematográfica". De acordo com o texto, o novo sistema "canibaliza a venda de ingressos" e pode acarretar o fechamento de salas de menor porte.

O diretor James Cameron se mostrou preocupado com a iniciativa. "A exibição em cinema é a grande experiência visual. Se os donos de sala estão preocupados, eu estou preocupado. Por que você daria um incentivo ao público para evitar a experiência da tela grande?", comentou em entrevista ao jornal britânico Guardian.

Mas há quem defenda a iniciativa, como o produtor britânico Stephen Margolis, da Future Films. Eles lançaram "Um Plano Brilhante" (2007) para download três semanas antes de sua estreia nos cinemas, para aumentar a propaganda boca-a-boca. "Esta é a chance da indústria do cinema evitar alguns erros da indústria musical", disse em entrevista ao Guardian. "Ela precisa entender o que o consumidor quer."

O diretor da Motion Pictures Association of America, que representa os estúdios, também defendeu a iniciativa. "Os filmes são feitos para exibição em tela grande e em locais cheios de pessoas. O que estamos fazendo é um enorme esforço para criar novos modelos de negócio de acordo com a demanda dos usuários, em uma época de enorme desenvolvimento tecnológico."

De acordo com uma pesquisa da British Video Association, em 2010, o download de filmes no Reino Unido gerou receita de 78 milhões de libras, mais que o dobro dos 35 milhões do ano anterior.

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