Diretor do Festival Sundance vê filmes independentes mais "maduros"

Principal evento do cinema alternativo norte-americano começa nesta quinta-feira com 117 produções

Reuters |

Divulgação
Cena de 'Red Hook Summer', de Spike Lee, que estará em Sundance
O Festival Sundance de Cinema começa nesta quinta-feira (dia 19), dando início a dez dias de exibições e funcionando como uma plataforma de lançamento para alguns dos principais filmes e documentários de baixo orçamento do mundo. É o maior encontro dos Estados Unidos para cineastas e produtores independentes.

Os 117 filmes a serem exibidos no festival, que ocorre no resort de Park City, no Estado de Utah, foram selecionados a partir de 4.042 inscritos inicialmente e incluem os 24 que estão na competição principal.

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O diretor do festival, John Cooper, falou à Reuters sobre o tom dos filmes selecionados e sobre como os diretores estreantes podem esperar que as novas tecnologias facilitem a produção dos filmes e ofereçam uma série de plataformas para alcançar o público.

Pergunta: O que você vê de diferente no tom geral dos filmes selecionados este ano?
John Cooper:
O que estou observando no geral é que o movimento ou a comunidade do cinema independente está ficando um pouco mais madura. A barrinha aumenta a cada ano. Não parece estar se nivelando para baixo. Todos os anos, os filmes chegam com uma profundidade maior na qualidade e grande completude e visão. Essa barra está estabelecida e outros cineastas que estão surgindo sabem que isso está posto.

Pergunta: Alguns pensam que, com a tecnologia melhorando as câmeras e a edição e algumas vezes tornando mais barata a produção, os filmes indies pudessem ir para o outro lado - que a qualidade poderia diminuir com um campo mais populoso. Por que você acha que a qualidade está melhorando?
John Cooper:
Há muitos fatores. Há agora uma base mais comunitária no que diz respeito a como eles funcionam. Tenho reparado que há um compartilhamento muito maior entre diretores, atores e ideias. Além disso, os cineastas independentes estão buscando uma vida artística diferente para si. Eles não são tão rápidos ou talvez nunca queiram passar para um grande filme de Hollywood ou uma situação semelhante. O que muitas pessoas aprenderam e o que está voltando especialmente com os jovens cineastas é que eles querem trabalhar de um modo que fiquem animados e realizados.

Pergunta: O que dizer sobre documentários que estrearam no ano passado, como "Senna," que se tornaram populares entre o críticos e o público? E sobre o lote deste ano, quais temas você vê?
John Cooper:
Eles vieram um pouco diferente neste ano. Eles vieram um pouco mais abrangentes e com uma amplitude maior de questões que o mundo está enfrentando. No ano passado, eles pareciam muito voltados aos personagens, levados por uma perspectiva mais pessoal. Neste ano, fomos e voltamos um pouco, mas há mais sobre questões como fome, guerra contra as drogas, aquecimento global e a crise do sistema de saúde. Há assuntos muito pontuais em uma escala muito mais ampla.

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