Diretor de "Bruna Surfistinha" não queria Deborah Secco no filme

Marcus Baldini rejeitou nome da atriz por um ano em sua estreia em longa-metragem

Priscila Bessa, iG Rio de Janeiro |

Isabela Kassow
Marcus Baldini e Deborah Secco no Rio
Premiado pelo trabalho no mercado publicitário, Marcus Baldini estreia como diretor de longa-metragem com “Bruna Surfistinha”, que chega aos cinemas na sexta-feira (25). Baseado no best-seller “O Doce Veneno do Escorpião – O Diário de Uma Garota de Programa”, obra autobiográfica que narra a vida da ex-prostituta Raquel Pacheco, o longa foi filmado em nove semanas e meia. Entretanto, Baldini tenta colocar o projeto em prática há quatro anos.

De acordo com o diretor, que já trabalhou na MTV no departamento de chamadas comerciais, dirigiu o curta-metragem “Sopa no Mel” (1995) e codirigiu a série “Natalia” (2010) para a TV Brasil, o principal motivo foi o preconceito com a temática da obra. “Tive dificuldade de conseguir patrocínio porque ninguém queria investir dinheiro num filme sobre prostituição”, disse ele ao iG , durante uma tarde de coletivas para divulgar o lançamento do longa.

O diretor revelou ainda que rejeitou o nome de Deborah Secco durante cerca de um ano para o papel principal. “Eu não queria porque achava que a imagem dela, do lado sensual, era pouco para a personagem que tinha que interpretar”, afirmou Baldini. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Raquel Pacheco
“Jamais quis fazer um filme que tivesse um comprometimento biográfico. Nunca passou pela minha cabeça fazer alguma coisa documental com a própria Raquel. A proposta era contar uma história que tem um tom de fábula. É, claramente, uma ficção. Ela viu um corte do longa lá atrás. Agora, verá o filme pronto pela primeira vez. Para ela é muito emocionante, pois é inspirado na trajetória dela.”

Protagonista
“O nome da Deborah sempre pintava desde o começo, mas, por ela ter feito personagens picantes. Eu não queria porque achava que a imagem dela, do lado sensual, era pouco para a personagem que tinha que interpretar. Seis meses antes das filmagens resolvi mandar o roteiro e marcamos uma conversa na casa dela. Com todas as pessoas que conversava sobre o longa precisava explicar que não é um filme de sacanagem, pornográfico, erótico. Tem uma história. Cheguei para falar com ela achando que seria a mesma coisa. Mas foi ela quem começou a falar o que eu iria dizer. A Deborah começou a discutir todos os pontos dramáticos que eu tinha na história. Falei: “Porra, alguém me entendeu!”

Camaleoa
“Fomos conversando e foi inevitável. Disse: ‘Deborah, então como vamos fazer nesse pedaço do filme? Porque ela tem 17 anos quando sai de casa, vai ao colégio e tal. Acho que vou ter que diminuir um pouco essa parte’. Aí ela falou: ‘Você não está acreditando, né?’. Foi para o quarto, colocou uma camisetinha de bichinho, pôs o cabelo para frente, sentou e colocou a perna assim (imita a posição da atriz sentado na poltrona abraçando os joelhos). Aí falei: ‘Acho que deu certo’. E essa camisa é a que ela usa no começo do filme, na abertura."

Preconceito
“Tive a maior dificuldade de conseguir patrocínio com empresas porque ninguém queria investir dinheiro num filme sobre prostituição. Mesmo quando tinha o nome da Deborah. Nem assim. As pessoas tinham uma certa desconfiança sobre a abordagem. Saiu uma matéria no (jornal carioca) O Globo com o título ‘Patrocínio Negado’ falando de filmes como ‘Meu Nome Não É Johnny’ e ‘Cidade de Deus’, que abordavam uma certa marginalidade social. Mas no nosso acho que foi o maior problema. A gente não conseguiu nenhum. Não temos marketing de empresa nenhuma. O filme é todo levantado com lei de incentivo”.

No vídeo abaixo, Deborah Secco fala sobre sua experiência no filme "Bruna Surfistinha":

Assista ao trailer de "Bruna Surfistinha":

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