Diretor Carlos Saldanha defende uso de clichês em "Rio"

"Woody Allen mostrou os cartões-postais de Paris. Por que não mostrarmos?", disse na abertura de exposição sobre a animação

Agência Estado |

Divulgação
"O Rio é carnaval, beleza, praia", diz Carlos Saldanha

Há quatro meses, Carlos Saldanha, Blu e Jade trouxeram o elenco estrelado de dubladores da animação "Rio" para a première na cidade em que o diretor nasceu e que o inspirou. Em meio ao anúncio da continuação, e mais de US$ 470 milhões em vendas de ingressos depois, Saldanha e as ararinhas azuis voltaram, desta vez para um pouso no Museu Nacional de Belas Artes, onde está em cartaz uma exposição que permite aos visitantes descobrir um pouco do caminho percorrido dos primeiros traços a lápis ao blockbuster.

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A ocasião também é de lançamento do DVD e do Blu-Ray do filme, que reinou nas bilheterias do mundo inteiro em abril, mês de estreia - do Brasil à Austrália. O segundo produto traz extras interessantes, como o esboço de uma deliciosa cena em que Blu, carioca de nascimento mas criado em Minnesota, nos Estados Unidos, se encanta com o gosto de suculentas frutas tropicais, exóticas aos olhos norte-americanos, como goiaba, manga e melancia.

A sequência acabou ficando de fora, para frustração de Saldanha, que agora se redime, e da equipe vinda dos Estados Unidos (depois que os próprios provaram nossos sabores, arrependeram-se da opção pelo corte). Há também um mapa com os pontos turísticos do Rio por onde Blu passa, imagens dos bastidores do processo de dublagem e da criação da trilha sonora, capitaneada por Sergio Mendes, uma aula de samba dada pelos animais e outras gracinhas. O DVD só possui a cena da feira.

Na última semana, horas antes da abertura da mostra "Rio: A Arte da Animação", no MNBA, Saldanha falou sobre as (esparsas, mas reverberantes) ressalvas a seu filme - houve quem o acusasse de reforçar estereótipos (Rio, a cidade do carnaval, da praia, das mulheres de biquíni), de fazer uma peça de propaganda turística, de criar Blu à imagem de Zé Carioca.

"É claro que o filme tem clichês. Mas se você tira isso do Rio, não sobra nada. O Rio é carnaval, beleza, praia. Em Nova York, é a mesma coisa: o Empire State, o Central Park... Woody Allen mostrou os cartões-postais de Paris. Por que não mostrarmos, se 90% do mundo não conhece o Rio?", defendeu o diretor. "É inevitável que queiram comparar com o Zé Carioca, e isso não nos aborrece, mas os filmes ("Rio" e "Alô, Amigos", de 1942) são completamente diferentes. Na época havia várias agendas por trás, não tinha uma história." "Rio 2" já é certo, mas, como o projeto é incipiente, Saldanha não dá detalhes sobre ele.

No MNBA, as paredes da sala ganharam storyboards, a trajetória do traçado dos personagens e aquarelas de cenas. É curioso ver as primeiras páginas do roteiro (de Saldanha e mais cinco nomes), os moldes em resina das araras, os desenhos iniciais, a lápis, os estudos da personalidade. Quem já viu o filme fica com vontade de voar de novo. A mostra fica em cartaz até o dia 4 de setembro. É a primeira do gênero na carreira de Saldanha.

SERVIÇO
Rio, A Arte da Animação

Museu Nacional de Belas Artes (Avenida Rio Branco 199, Rio de Janeiro)
De terça a sexta das 10h às 18h; sábado e domingo das 12h às 17h
R$ 5 (domingo, grátis)
Em cartaz até 4 de setembro

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