Culpa atormenta amantes em "Que Mais Posso Querer"

Insatisfação existencial marca personagens do longa do italiano Silvio Soldini

Reuters |

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Pierfrancesco Favino e Alba Rohrwacher em "Que Mais Posso Querer"
Diretor do sucesso "Pão e Tulipas" (2000), o italiano Silvio Soldini assina um drama sóbrio sobre adultério no novo filme, "Que Mais Posso Querer", estrelado por Alba Rohrwacher, a atriz mais requisitada do cinema italiano atual. O filme estreia apenas em São Paulo, no CineSesc.

Ambientada em Milão, a história situa sua protagonista, Anna (Alba Rohrwacher, de "Meu Irmão é Filho Único"), no auge de uma crise pessoal. Entrando nos 30 anos, com carreira estável numa seguradora, ela se sente pressionada para engravidar – pela família, pelo companheiro Alessio (Giuseppe Battiston) e até pelo próprio relógio biológico. Mas alguma coisa parece estar fora da ordem.

O encontro por acaso com Domenico (Pierfrancesco Favino), empregado de um bufê, desencadeia uma paixão violenta e incômoda tanto para ele, quanto para Anna. Os dois são casados. E Domenico tem dois filhos pequenos, o que o enche de culpa e cobranças da própria consciência e da mulher ciumenta, Miriam (Teresa Saponangelo).

Dividindo os créditos do roteiro com sua habitual colaboradora, Doriana Leondeff, e Angelo Carbone, Soldini retrata seus protagonistas e sua situação com extremo realismo.

Se, por um lado, compõe cenas de sexo bastante francas, isso não significa que o filme romanceie demais a paixão dos dois. Sempre se faz um contraponto com os dilemas que devem contornar para encontrar-se, com grande desgaste emocional.

Uma questão que percorre todo o filme, evidente desde o título amargamente irônico, é uma espécie de insatisfação existencial da própria classe média em seu contexto.

As duas famílias têm algum conforto material, mas sempre se coloca em dúvida se isto é, realmente, o máximo a que alguém pode aspirar – ter uma casa, um trabalho, uma família. Será que o coração não espera algo mais? Soldini acha que sim. E recoloca na ordem do dia o mal-estar da da civilização de que falava Sigmund Freud.

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