"Corpos Celestes" encerra com brilho competição em Gramado

História pronta para o mercado internacional é fruto raro no cinema nacional

Marco Tomazzoni, enviado a Gramado |

Divulgação
Dalton Vigh e Carolina Holanda em cena do longa-metragem "Corpos Celestes"
O último dia de competição do Festival de Gramado reservou um concorrente de peso entre os longas brasileiros. Com uma história pronta para o mercado internacional e praticamente perfeito tecnicamente, “Corpos Celestes”, dirigido por Marcos Jorge (“Estômago”) e Fernando Severo, recebeu aplausos calorosos e é forte candidato a receber um Kikito na noite deste sábado (15), quando acontece a cerimônia de premiação.

O filme conta a história de Francisco (Dalton Vigh), um pacato professor de astronomia que anda às voltas com uma mulher misteriosa (Carolina Holanda, competente e lindíssima), hostess de uma casa noturna. A chegada de um norte-americano faz com que ele rememore o passado no interior paranaense, quando pela primeira vez teve contato com as estrelas.

A infância do personagem é contada em um grande prólogo antes dos créditos, naquele que é o maior trunfo do longa. Francisco vira Chiquinho, vivido pelo expressivo Rodrigo Cornelsen, um garoto de calças curtas que subia em árvores no campo e andava de bicicleta no Paraná de 1970. Curioso em conhecer um gringo recluso de um casarão nas redondezas, através dele o menino acaba se apaixonando pelo céu e descobre as constelações, o que acabaria se tornando sua profissão.

Filmado entre final de 2005 e início de 2006, “Corpos Celestes” ficou na geladeira todo esse tempo para que “Estômago” pudesse ser lançado e desfrutasse de uma exitosa carreira pelo mundo. O atraso parece ter feito bem ao filme, que possui uma pós-produção primorosa, em que brilham os efeitos visuais para destacar as estrelas e os sonhos de Francisco.

Bebendo na tradição do cinema hollywoodiano de aproximar duas pessoas distintas, em especial uma criança e um adulto, o filme cativa pela sensibilidade do prólogo e se apoia nele para manter o interesse na segunda metade, sem o mesmo apelo para o espectador. Já a falta de um final conclusivo foi atribuída por Jorge à procura pela poética e simplicidade. É claro que muitas vezes a imaginação do espectador deve voar solta, mas, neste caso, soa mais como uma traição à paciência de quem mergulhou na história.

Mesmo assim, é impossível não dar os parabéns a Jorge e Severo. O roteiro diferente, talvez sem paralelo em nosso audiovisual pela temática, mostra que os realizadores brasileiros estão, enfim, abrindo seu leque de opções e apostando em histórias novas, cujo apelo universal e excelência na produção tem tudo para conquistar plateias além fronteira. A direção de arte e a bela fotografia só enaltecem ainda mais um projeto que consumiu apenas R$ 1,4 milhão, considerado baixíssimo para os padrões brasileiros e internacionais. Sem dúvida, um exemplo a ser seguido.

A cerimônia de entrega dos premiados começa às 21h deste sábado e vai revelar os vencedores escolhidos pelo júri nas categorias de curta-metragem brasileiro e longa-metragem nacional e latino-americano. A festa será transmitida ao vivo pelo Canal Brasil e pela TVE do Rio Grande do Sul.

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