"Corações Sujos" representa Brasil no Festival de Cinema de Montreal

Longa-metragem de Vicente Amorim é o único filme do país no evento, que completa 35 anos

iG São Paulo com EFE |

Divulgação
O japonês Tsuyoshi Ihara em "Corações Sujos"
O Festival Mundial de Filmes de Montreal (FFM) completa nesta quinta-feira (18) 35 anos como um trampolim do cinema independente. Nesta edição, serão exibidos 383 filmes de mais de 70 países, 50 deles espanhóis e latino-americanos.

O evento reafirma o objetivo de se manter afastado das produções de Hollywood e reivindica seu lugar como promotor da diversidade cultural. "Este festival não é de grandes estrelas internacionais, que costumam ser americanos e estrangeiros reconhecidos nos Estados Unidos. Nossa razão de ser é a diversidade e a promoção de talentos que ainda não ultrapassaram as fronteiras de seu país de origem", disse a diretora-geral do festival, Danièle Cauchard.

Entre as produções latino-americanas, a Argentina se destaca com 10 filmes e o México, com oito. Surpreende o fato do Brasil apresentar apenas um filme e que um país como a Colômbia, que chamou a atenção em festivais norte-americanos, como o de Chicago, não apareça na programação do FFM.

O longa brasileiro "Corações Sujos" , inspirado no livro homônimo de Fernando Morais, vencedor do Jabuti em 2001, retrata como a comunidade de imigrantes japoneses no Brasil se negou a acreditar que seu país de origem tenha perdido a Segunda Guerra Mundial. A direção é de Vicente Amorim. "Trata-se de um tema bastante particular, através do qual se conta uma grande história", disse Danièle.

De acordo com a diretora, o Festival de Montreal espera ter sido ao longo dessas mais de três décadas um espelho da realidade de muitos países, inclusive em seus momentos mais difíceis, como as ditaduras e os conflitos armados. "Nós sempre estivemos muito abertos ao mundo. Quando nasceu o festival, o mundo estava dividido em dois blocos. A partir daí seguimos a evolução política dos países, inclusive projetamos filmes censurados nesse período em alguns lugares, como durante as ditaduras latino-americanas", afirmou.

Todos os anos, o FFM procura exibir trabalhos de países onde a produção cinematográfica não é prolífica, como Jordânia, Moçambique, Iraque e Porto Rico, que participarão desta edição. O júri será presidido pelo cineasta espanhol Vicente Aranda, "um grande diretor, cujos filmes arrancaram aplausos ao longo da história do festival", assinalou Danièle.

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