Conflito entre famílias dá vida nova aos zumbis de George Romero

"A Ilha dos Mortos", novo filme do diretor, é lançado direto em DVD no Brasil

Daniel Hassegawa, iG Sâo Paulo |

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"A Ilha dos Mortos", de George A. Romero: zumbis mais "espertos" e com muitos efeitos especiais
O hype em torno dos zumbis provocado pelo sucesso do seriado “The Walking Dead” e pelo romance “Orgulho e Preconceito e Zumbis” ( que será adaptado aos cinemas ) não foi suficiente para que o filme mais recente de George A. Romero entrasse em cartaz no Brasil. “A Ilha dos Mortos” ("Survival of the Dead", no título original), que chegou a ser exibido no Festival de Veneza e no SP Terror no ano passado, acaba de ser lançado direto em DVD (sem extras), como já havia acontecido com o longa anterior do cineasta, “Diário dos Mortos” (2007).

Romero reinventou os zumbis no final da década de 1960 com o clássico “A Noite dos Mortos-Vivos”, criando toda a mitologia atual envolvendo as criaturas, até então conhecidas como cadáveres reanimados por feiticeiros de vodu haitianos. Com o passar dos anos, o diretor foi atualizando sua fórmula, como no próprio “Diário dos Mortos”, em que Romero abraça – sem sucesso – a estética de “A Bruxa de Blair” e “[REC]”.

Em “A Ilha dos Mortos”, como o título indica, ele muda a ambientação, tirando seus zumbis das áreas urbanas e coloca-os em meio a uma disputa entre famílias rivais de imigrantes irlandeses que dominam o local. Com o tempo, os mortos-vivos ficam “espertos”, algo que já foi explorado por Romero em “Terra dos Mortos” (2005). Eles reaprendem a utilizar ferramentas e voltam, instintivamente, a realizar atividades que praticavam enquanto estavam vivos. Por isso, os Muldoon acreditam que devem mantê-los aprisionados até que se descubra algum tipo de cura. Já a família O’Flynn acredita que zumbi bom é zumbi morto.

O patriarca dos O’Flynn é expulso da ilha, localizada no litoral do estado de Delaware, no nordeste dos EUA, e retorna munido de um grupo de militares renegados para tomar o controle da área.

Com essa trama a la Berdinazzi vs Mezenga, da novela “O Rei do Gado”, Romero torna “A Ilha dos Mortos” seu melhor trabalho em muito tempo, talvez desde “Despertar dos Mortos” (1978), abandonando de vez a insegurança demonstrada em “Diário” e incorporando elementos até de western à sua franquia zumbi.

Mas há falhas. Ao contrário do filme de 1968, não há como sentir compaixão pelos protagonistas sem escrúpulos do novo longa. Outro problema, que deve incomodar bastante os puristas, é a utilização em larga escala de sangue digital. Efeitos em CGI barateiam o orçamento, mas tornam o filme mais falso. E isso não é bom para alguém como Romero, que busca traçar paralelos entre o mundo pós-apocalíptico de suas obras e a realidade.

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