Complexidades de Mel Gibson são exploradas em "Um Novo Despertar"

Dirigido pela amiga Jodie Foster, drama competente rivaliza com problemas públicos do astro

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Divulgação
Mel Gibson com seu castor em "Um Novo Despertar": ator e personagem se confundem em novo drama
Apesar de finalizado em 2009, o drama "Um Novo Despertar" só estreou neste mês nos Estados Unidos, em parte por causa dos problemas pessoais - e posteriormente públicos - de seu protagonista, o astro Mel Gibson, cujo fim do relacionamento com a ex-namorada acabou exposto por causa de agressões, discussões e idas ao tribunal.

Tudo isso, somado a comentários antissemitas feitos pelo astro, fez com que a Summit Entertainment, responsável pela distribuição do longa nos EUA, optasse por lançá-lo no restrito circuito de filmes de arte. A decisão prejudicou a bilheteria: em duas semanas, arrecadou apenas US$ 391 mil (R$ 635 mil), pouco mais de 10% de seu custo.

Mas nada disso consegue mudar o fato de que "Um Novo Despertar" é um dos grandes trabalhos de Gibson, que interpreta Walter Black, o presidente de uma fábrica de brinquedos que entra em depressão profunda e praticamente inexiste por dois anos - período em que assiste passivamente à deterioração de sua empresa e família.

A reviravolta surge não dos livros de auto-ajuda ou de sessões de terapia, mas de seu subconsciente, que encontra num fantoche de pelúcia a válvula de escape para projetar a solução de sua depressão.

E apesar do estranhamento inicial, tanto colegas de trabalho quanto a própria família aceitam a presença do boneco ao perceber que através dele Walter volta a dar sinais de vida. A exceção é o filho mais velho do empresário, Porter (Anton Yelchin), que assim como o pai - e também por causa dele - tem de lidar com seus próprios fantasmas.

Com um elenco pequeno e ótimas atuações, a diretora Jodie Foster - que interpreta a mulher de Walter - mantém o foco na esquizofrenia de seu protagonista e o arrasta até as últimas consequências. Mostra não apenas que o maior inimigo de Walter Black é ele mesmo, mas que é também o único que pode ajudá-lo - uma explicação que, neste caso, pode ser aplicada ao ator por trás do personagem.

Foster elogiou a complexidade do amigo durante a coletiva do filme no Festival de Cannes deste ano, afirmando que "os atores mostram quem são mais profundamente em seus papéis". No caso de "Um Novo Despertar", ela não poderia estar mais certa. O problema é saber se o público consegue desvincular seu ótimo trabalho nas telas das besteiras cometidas em sua vida privada - e que talvez colaborem para tornar a situação ainda mais interessante.

Assista ao trailer de "Um Novo Despertar":

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