Com "Tetro", Francis Ford Coppola é aplaudido de pé em Cannes

Distribuído de forma independente, filme em preto e branco tem contornos operísticos

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Reuters
A atriz Maribel Verdu e o diretor Francis Ford Coppola divulgam "Tetro" no Festival de Cannes
Aparentemente, “Tetro”, de Francis Ford Coppola, não tem nada a ver com “O Poderoso Chefão”, “Apocalipse Now” e outros filmes do cineasta. Mas, aos poucos, dá para perceber que tem, sim.

Rodada na Argentina, trata-se de uma produção modesta para o tamanho do nome do diretor, que vai distribui-la de forma independente.

O filme tinha sido convidado para passar, fora de competição, na seção principal do Festival de Cannes. O cineasta não aceitou e acabou abrindo a mostra paralela Quinzena dos Realizadores, onde sua obra foi bem recebida na manhã desta quinta-feira.

“Eles tinham muitos filmes bons para a competição, não havia mais muitos lugares. Me ofereceram uma sessão de gala, fora de competição”, contou ele depois da primeira exibição, em presença saudada com a platéia aplaudindo de pé.

“Eu disse: 'não quero participar de uma sessão de gala, é um filme independente. Não vou me sentir confortável de estar de smoking, no meio de todas as pessoas importantes'. Então me convidaram para a Quinzena e eu achei que era mais apropriado para este tipo de longa-metragem.”

Filmado em preto e branco, “Tetro” é uma história de família: o jovem Benjamin (o estreante Alden Ehrenreich, a cara de Leonardo DiCaprio) vai a Buenos Aires atrás do irmão mais velho, Angelo, que agora exige ser chamado de Tetro (Vincent Gallo) e não está muito disposto a reatar os laços familiares.

Aos poucos, as camadas desse imbróglio vão sendo descascadas. O que parece uma trama pequena, fechada na família Tetrocini, vai ganhando contornos operísticos, bem ao gosto do diretor.

Indagado sobre as semelhanças entre este filme e “O Poderoso Chefão”, Coppola declarou: “a diferença entre este filme e ‘O Poderoso Chefão’ são quatro esfaqueamentos, dois estrangulamentos, 20 assassinatos por tiro e um assassinato por metralhadora”.

Sobre as semelhanças entre a família do filme e a sua própria – o pai e o tio do cineasta eram músicos, como em “Tetro” –, ele brincou: “nada na história realmente aconteceu. Mas tudo é verdade”.

Assista ao trailer de "Tetro":

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