"Com menos dinheiro, se pode ser mais ambicioso", diz Coppola

iG participou de entrevista com o diretor no Festival de Cannes, onde ele exibe seu novo filme, "Tetro", em mostra parelela

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Getty Images
Coppola: "Filmes grandes têm de agradar a muita gente e acabam ficando estúpidos"
O diretor Francis Ford Coppola surpreende quem espera um senhor de 70 anos sisudo e nem um pouco humilde, o que seria até compreensível dada uma carreira das mais invejáveis da história do cinema mundial, incluindo obras-primas incontestáveis como “O Poderoso Chefão”, “Apocalypse Now” e “A Conversação”. Pois ele não poderia ter sido mais simpático durante uma mesa-redonda nesta quinta-feira (14), na qual o iG foi o único veículo brasileiro a participar.

O diretor falou sobre seu novo filme, “Tetro”, rodado na Argentina de modo independente e que participa da Quinzena dos Realizadores, mostra paralela ao festival. Confira os principais trechos da entrevista:

iG: Quais são seus maiores prazeres na vida?
Francis Ford Coppola: Agora, são as crianças pequenas. Adoro vê-las brincar. Antigamente, eram belas mulheres e, em segundo, crianças. Mas sempre gostei das mulheres, principalmente depois que elas se tornam mães. O jeito que carregam os filhos, não se importando com o peso, me fascina.

iG: Como foi a filmagem na Argentina?
Francis Ford Coppola: A Argentina é um país muito agradável. Eu amo a cultura, eles têm uma tradição literária muito forte, uma grande tradição teatral, ótimos atores. Acho que depois de tantas crises, eles gostam de apreciar a vida. E fazem alguns dos melhores vinhos do mundo.

iG: Mas vocês tiveram alguns problemas, não?
Francis Ford Coppola: O problema é que inventaram muitas coisas. É que a Argentina é um país complicado, e a culpa é dos italianos. Você vê, no Chile, onde não há tantos italianos, não tem esse problema. Primeiro, roubaram um computador e disseram que tinham roubado o roteiro. Você acha que alguém só tem uma cópia de um roteiro? Depois, o sindicato dos atores é presidido por gângsteres – nada a ver com os atores. Eles queriam cobrar uma multa porque estávamos usando atores americanos e uma espanhola no país. Como é que eu vou fazer um nova-iorquino com um ator argentino? Aí eles pediram menos e eu disse que não ia pagar nada. Eles ameaçaram fechar a produção, disseram que pararam, mas não é verdade.

iG: Por que tem preferido fazer filmes menores, independentes?
Francis Ford Coppola: Porque quanto menos dinheiro o filme tem, mais ambicioso você pode ser. Os filmes grandes têm de agradar a muita gente e acabam ficando estúpidos.

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