"Cinema é um negócio difícil", diz presidente da Cinépolis

Em entrevista ao iG, CEO da gigante mexicana no Brasil conversa sobre a meta de inaugurar 290 salas e suas dificuldades

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Divulgação
O presidente da rede Cinépolis no Brasil, Eduardo Acuña, em frente ao complexo de salas de São Paulo
No momento em que o cinema nacional vive uma ótima fase com filmes como "Tropa de Elite 2" arrecadando bons retornos de bilheteria, exibidores estão se movimentando para aumentar a oferta de salas do país - seja com o auxílio de incentivos fiscais ou com o capital estrangeiro, que enxerga uma grande oportunidade na carência de cinemas do Brasil.

É com a meta de inaugurar 290 salas em três anos, investimento avaliado em R$ 500 milhões, que a operadora de cinemas mexicana Cinépolis inaugura nesta semana seu primeiro complexo de salas em São Paulo - e o terceiro do país, que já conta com cinemas da rede em Belém, capital do Pará, e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Durante uma visita ao Cinépolis do Mais Shopping Largo 13, localizado na zona sul da capital paulista, o presidente da rede no Brasil, Eduardo Acuña, conversou com o iG sobre as metas da companhia e as dificuldades em abrir salas de exibição no país.

iG: Vocês já operam em países como Colômbia, Costa Rica, Peru e Índia. O que atraiu a Cinépolis ao Brasil?
Eduardo Acuña: A falta de salas. Enquanto países como México, Alemanha e Argentina têm uma média de 24 mil habitantes por salas de exibição, o Brasil registra atualmente 80 mil. Essa carência nos motivou a entrar no mercado.

iG: Até o momento, todos os complexos inaugurados estão dentro de shoppings centers. É o melhor formato para vocês ou cogitam outro tipo de cinema, dentro de supermercados ou até mesmo nas ruas?
Eduardo Acuña: Estamos avaliando qualquer oportunidade. O público brasileiro se acostumou ao cinema de shopping, muito por causa da segurança e de outras associações, como estacionamento, por exemplo. E no shopping nós compartilhamos custos, coisa que não ocorre no cinema de rua - que também tem características atrativas, mas em nossos estudos não se tornou viável por causa dos altos valores de aluguéis ou da aquisição de terrenos. O "custo Brasil" é muito alto.

Divulgação
A meta da operadora mexicana de cinemas Cinépolis é inaugurar 290 salas de exibição no Brasil em três anos
iG: Fazer uma sala de cinema no Brasil é um investimento caro?
Eduardo Acuña: Uma sala de cinema no Brasil custa 80% a mais do que uma sala no México, por exemplo. Os impostos, os aluguéis e outros custos acabam dificultando a criação de complexos com 10 salas, que é o que gostaríamos de ter. Enquanto no México conseguimos montar cinemas de sete salas em cidades com 70 mil habitantes, no Brasil fica inviável pensar em investimentos do tipo em cidades com menos de 300 mil.

iG: Além desses custos, a pirataria não atrapalha o lucro das operadoras de cinema?
Eduardo Acuña: Não tenho os números do Brasil, mas no México a pirataria tira metade do público dos cinemas. Mas acreditamos que o cinema é um bom programa, o lazer mais barato fora de casa - mais barato do que comer numa praça de alimentação, por exemplo. E quando você oferece um complexo com qualidade nos preços, filas rápidas e salas bacanas, torna o custo benefício melhor do que a pirataria - você não tem em casa uma experiência como a da sala de cinema.

iG: Então é possível afirmar que o cinema é um bom negócio?
Eduardo Acuña: O cinema é um negócio que tem investimentos altos e não traz rendas tão grandes. É um negócio difícil, mas se não fosse um bom negócio, ninguém abriria salas.

    Leia tudo sobre: Cinépolissalas de cinema

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG