¿Cinema brasileiro precisa atacar¿, afirma secretário do MinC

Novo modelo de produção e aumento das salas são apontados como soluções para o setor

Marco Tomazzoni |

Para conseguir ter chance no mercado, o cinema brasileiro tem que mudar de estratégia. Em debate no Festival de Paulínia, o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Newton Cannito, afirmou que, apesar de ter aumentado sua participação nas bilheterias no ano passado para 14,8%, o cinema nacional precisa adotar outro modelo de produção e investir em novos gêneros, disputando sem medo espaço com o que chega de Hollywood. “O cinema brasileiro está meio Dunga”, destacou, se referindo ao antigo técnico da Seleção. “Temos que partir para o ataque.”

Criador da série 9mm e roteirista de filmes como Quanto Vale ou É por Quilo e Bróder , em competição em Paulínia, Cannito fez um paralelo com o mundo empresarial para dizer que é necessário explorar campos não desbravados, como o western e o terror, exemplos de gêneros com pouca tradição no país. “O cinema brasileiro faz muito, e bem, drama social e comédia romântica. Estamos muito presos em nós mesmos. Precisamos urgentemente buscar novos mercados.”

Cannito também reconheceu que, devido às dificuldades em levantar recursos, se filma com pouca velocidade e muita burocracia, já que é comum ter que ganhar diversos editais para viabilizar um longa-metragem. A demora também faz com que alguns projetos percam o timing e acabem datados. “É melhor desistir de um roteiro do que desperdiçar recursos”, defende o secretário, para apontar outro problema fundamental de infra-estrutura. “Os filmes brasileiros, mais do que um problema de roteiro, têm pouca pesquisa. É preciso investir no processo de criação.”

Diretor da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Gláuber Piva elegeu o baixo número de salas como vilão desse processo. Na década de 1970, o país tinha 3,3 mil cinemas, boa parte grandiosos, com centenas de lugares. Hoje, esse número caiu para 2,3 mil, a maioria concentrados no centro das grandes cidades, longe da periferia e do interior. “Isso, combinado com a concentração do nível de renda, diminuiu a possibilidade de se frequentar as salas”, afirma Piva. “O Brasil não vai ao cinema.”

Nesse sentido, foi elaborado um convênio com o BNDES para fornecer empréstimos com juros baixos a empresários interessados em expandir o parque exibidor, ou seja, abrir salas. Com uma programação diversificada e o benefício do Vale Cultura, que aguarda votação no Congresso, Piva acredita que o cinema pode se tornar o “espaço de convívio na modernidade do país”. Intenções, portanto, não faltam.

* o repórter viajou a convite do festival

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