Cinema asiático e documentários musicais marcam Indie 2011

Retrospectivas de Béla Tarr e Claire Denis também são programas imperdíveis do festival

iG São Paulo |

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O japonês "Amor Debaixo D'Água": musical, erotismo e criaturas míticas
Cada vez mais se afirmando como um dos melhores festivais do calendário cinéfilo brasileiro, o Indie 2011, que depois de Belo Horizonte chega a São Paulo nesta sexta-feira (16), já seria imperdível pelas retrospectivas de Claire Denis e Béla Tarr, entre os melhores cineastas em atividade no mundo. Mas não é só isso – longas inéditos dão as caras na programação, voltada para produções autorais, curiosas ou desafiadoras, pinçadas no circuito de festivais internacionais. Até o próximo dia 29, 67 filmes de 18 países passarão pelas telas do Cinesesc e do Cine Olido, sempre com entrada franca.

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Chama a atenção o número de longas asiáticos. O tailandês "Eternidade", ganhador do Festival de Roterdã, famoso justamente como vitrine de filmes alternativos, envereda pelo caminho do cinema fantástico popularizado pelo conterrâneo Apichatpong Weerasethakul . Do mesmo festival, também vem o espanhol "Finisterrae", no qual dois fantasmas – atores vestidos com lençóis brancos e buracos para os olhos – vagam do Caminho de Santiago até o fim do mundo.

No bizarro "Amor Debaixo D'Água", pornografia leve e musical se misturam para contar a história de amor entre uma garota e seu ex-colega, na verdade uma criatura mítica japonesa com bico e casco de tartaruga – isso mesmo. Do Japão, ainda serão exibidos "Família X", "Viciado em Amor" e o emo "Bom dia, Mundo", sem contar "Little Rock", produção norte-americana sobre dois irmãos japoneses perdidos no interior dos EUA.

O Sri Lanka participa com "Peixe Voador", que flagra pessoas afetadas pela guerra no norte do país. Da Tailândia, uma nova Romênia em termos de aceitação em festivais gringos e amadurecimento, aparecem "Hi So" e o longa episódico "Café Almoço Jantar", feito também por diretoras da China e Cingapura.

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Romance desestabiliza "Bellflower", sobre dois amigos fanáticos por "Mad Max" e o fim do mundo
Na Mostra Mundial, destaque ainda para "Bellflower", bem recebido em Sundance no início do ano. Escrito, dirigido e protagonizado pelo norte-americano Evan Glodell, o filme segue dois amigos convencidos do iminente apocalipse global, na linha de "Mad Max". Pensando nisso, se divertem construindo lança-chamas e armas de destruição de massa. Se a coisa já não cheirava bem, a entrada de uma garota na história serve como catalisador para o desastre.

Outro filme esperado é o "O Moinho e a Cruz", ambicioso projeto do polonês Lech Majewski (roteirista de "Basquiat") de recriar a pintura "A procissão para o Calvário", de 1654, de Pieter Brugel – utilizado como referência de Lars Von Trier em "Melancolia" . Imagens e efeitos especiais arrebatadores e um elenco com Charlotte Rampling e Rutger Hauer são suficientes para garantir a sessão.

Na linha da música, em especial na mostra Música do Underground, há mais de um filme sobre a filosofia DIY ("Do It Yourself", ou faça você mesmo), além de homenagens aos 30 anos da banda Inocentes e ao Ministry. O documentário "Presspauseplay" discute o impacto da tecnologia na produção de arte, enquanto "Eu Sou Secretamente Um Homem Importante" resgata a figura de Jesse Bernstein, influência para Kurt Cobain e contratado do selo Sub Pop Record.

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"O Cavalor de Turim", do diretor húngaro Bela Tarr
Mas a grande oportunidade é poder assistir a "Separado!", estranhíssimo documentário sobre a busca do líder do grupo Super Furry Animals, o galês Gruff Rhys, por um tio músico desaparecido na Patagônia argentina.

Com relação às retrospectivas de Claire Denis e Béla Tarr, a dica é assistir a tudo o que for possível. Raros no país, os filmes da celebrada cineasta francesa, antiga assistente de Wim Wenders, Jim Jarmusch e Costa-Gravas, entre outros grandes nomes, estão todos no país, do primeiro, "Chocolate" (88), aos recentes "35 Doses de Rum" e "Minha Terra África" .

Já o gigante húngaro, que assombrou no início do ano o Festival de Berlim com "O Cavalo de Turim" , vencedor do Grande Prêmio do Júri, tem alimentado os boatos de que abandonará a profissão. Seu possível último trabalho, portanto, está na programação do Indie, assim como o elogiado "O Homem de Londres" (2007), a versão do diretor para "Macbeth" (82) e o hérculeo "Satantango" (94), com sete horas de duração, que será exibido a partir das 21h30 de sábado (17) e segue madrugada adentro.

Serviço – Festival Indie 2011 em São Paulo
De 16 a 29 de setembro de 2011
Cinesesc (Rua Augusta, 2075) e Cine Olido (Av. São João, 473)
Entrada franca
Programação: site oficial

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