Cineasta Walter Lima Jr. recebe troféu Eduardo Abelin em Gramado

GRAMADO ¿ O diretor Walter Lima Jr., 70 anos, recebeu na noite desta quinta-feira (12), em Gramado, o troféu Eduardo Abelin, entregue a grandes realizadores do cinema brasileiro. Emocionado e feliz com o prêmio, Lima Jr. saudou o festival por ter criado um troféu com o nome de um ¿pioneiro do cinema¿.

Marco Tomazzoni, enviado a Gramado |

Edison Vara / PressPhoto

Festival rendeu homenagem a Walter Lima Jr.

Entre os filmes do cineasta estão Os Desafinados, A Ostra e o Vento, Ele, o Boto, A Lira do Delírio e a adaptação de Inocência, de Visconde de Taunay. A relação com Abelin, inclusive, ainda tem uma ligação formal: o diretor escreveu o roteiro de Sonho sem Fim, cinebiografia do desbravador do cinema gaúcho.

À tarde, durante conversa com a imprensa, Lima Jr. fez coro às críticas de Reginaldo Faria no dia anterior contra os responsáveis por conceder recursos de renúncia fiscal. É penoso ter que enfrentar essas comissões de notáveis que se acham acima do bem e do mal, que ganham dinheiro às custas da atividade cultural do Brasil, disse. Seria diferente se essas leis não fossem gerenciadas por gente tão agressivamente prepotente. Essa burocracia é sufocante.

A extinção das salas de cinema ¿ hoje existem cerca de 1,2 mil, contra 8,5 mil na época de O Menino de Engenho (1965) ¿ e o alto preço dos ingressos também são responsáveis, segundo o cineasta, de afastar o público dos espaços exibidores. E ainda tem a concorrência com a televisão, que relança trabalhos com uma publicidade muito grande e cria um falso sucesso, sugeriu.

Apesar disso, o diretor se diz otimista com o setor no Brasil, país com inclinação inabalável para o audiovisual. Nossa consciência de um cinema próprio evoluiu e sinto que há um prazer de fazer muito grande e isso passa para o espectador, afirmou, ao se referir à nova geração de realizadores.

O prazer de filmar, aliás, é o principal motor de Lima Jr, que está escrevendo três roteiros simultaneamente: um filme de terror, outro sobre a situação da imprensa durante a ditadura militar e uma releitura da peça A Moratória, de Jorge Andrade. O dogma do cinema é acreditar no que se está vendo, e por isso o diretor também precisa acreditar no que faz. Os filmes saem dessa vontade.

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