Cineasta irlandês John T. Davis lança livro e DVD em São Paulo

"The Uncle Jack" inicia série de publicações no Brasil sobre a cultura irlandesa

Agência Estado |

Divulgação
John T. Davis
A trajetória do cineasta John T. Davis poderia ser resumida em: "Tão perto do cinema, tão longe de Hollywood". Ou quase. Como diretor de cinema talentoso que é, Davis não poderia ter nascido em lugar mais perfeito para sua profissão: Holywood. Não há nenhum erro. É Holywood mesmo. Com um 'L' só. Povoado no norte da Irlanda. Muito longe de Hollywood, aquela, em que em geral filmes têm começo, meio e fim. Mas histórias tradicionais que se abrem e se fecham de forma quase didática não são o forte de Davis.

Aliás, esquemático é tudo que o cinema do seu país não é. Isso o público de São Paulo poderá comprovar nesta terça-feira (4) a partir das 19H, quando Davis, um dos mais renomados cineastas irlandeses da atualidade, lança na Livraria da Vila, o DVD e livro "The Uncle Jack". Projeto da cátedra de Estudos Irlandeses W.B. Yeats, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, o lançamento inicia uma série de publicações sobre a cultura irlandesa (incluindo cinema, arquitetura, teatro, literatura) e contará com a leitura de trechos do livro pelo próprio Davis e projeção de fotos e debate com o diretor, além da presença do professor e doutor britânico Lance Pettitt (da St. Mary’s College, especializado em cinema irlandês) e da professora doutora Beatriz Kopschitz Bastos (mestre em inglês pela Northwestern University e doutora em estudos irlandeses pela USP).

Davis dirigiu mais de 40 filmes, na maioria documentários. Possui uma carreira prolífica e premiada, é colaborador de longa data da BBC e do Chanel 4 (o canal de experimentação em documentário da BBC), já filmou desde o cotidiano de um andarilho americano, em "Hobo" (1991), até a cena punk no norte da Irlanda em "Shellshock Rock" (1978), mas é "The Uncle Jack" seu trabalho mais pessoal, confessional quase.

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O filme narra a história de Jack McBride Neill, o Tio Jack, um dos principais arquitetos irlandeses da era de ouro do cinema e responsável por uma série de projetos na primeira metade do século 20. Jack era tio de Davis e, portanto, a narrativa do filme mistura o tempo todo a biografia de McBride Neill com a memória do diretor. Entre tantos outros, o trabalho foi premiado no Festival of New Irish Cinema e no European Film Festival, em Hong Kong e Macau.

Foi por conta do tio que o cinema chegou para Davis. O garoto, que "nunca estudou cinema" e se formou no Belfast Art College, cresceu vendo o tio projetar salas que eram obras de arte, que, ao contrário das cadeias de fast-cinema que predominam hoje, eram quase templos da chamada sétima arte. Foi do Tio Jack, que morreu em 1974, que o jovem Davis herdou uma câmera 8mm com a qual fez suas primeiras imagens. Décadas depois, durante o processo de realização de "The Uncle Jack" (que levou quatro anos, no início dos anos 90) viu um dos mais emblemáticos cinemas projetados pelo tio, o Bangor’s Tonic Cinema, pegar fogo. E uma era esvair-se com ele. As cenas em que o cineasta narra suas impressões sobre esta era com as cenas da sala em chamas são fortes, pessoais e, ao mesmo tempo, universais.

É dessa forma única, narrando em off, em primeira pessoa, imagens que aparentemente podem ser desconectas, que Davis traça um panorama particular e histórico do que foi a transformação da arte de fazer cinema.

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