Cine Ceará mantém foco em filmes estrangeiros

Festival em Fortaleza começa hoje e continua apostando em produções ibero-americanas inéditas no país

AE |

Divulgação
Baseado na obra de Gabriel García Márquez, o latino Do Amor e Outros Demônios abre a competição do festival
Em sua 20ª edição, que começa hoje à noite, em Fortaleza, com a exibição de Do Amor e Outros Demônios em première mundial, o Cine Ceará mantém-se no formato ibero-americano. "Essa fórmula veio para ficar", diz seu diretor, o cineasta Wolney Oliveira. Não apenas porque se tornou importante via de divulgação da cultura cinematográfica da América Latina e da Europa ibérica no Brasil, mas pelas próprias raízes do diretor, pois Wolney é formado pela tradicional Escuela de Cine y TV de San Antonio de Los Baños, que fica nas cercanias de Havana, em Cuba.

Essa opção pelos ibero-americanos garante ao Cine Ceará diversidade de filmes e ineditismo da maioria deles, desafio constante dos festivais brasileiros, em geral condenados a repetir títulos que já participaram antes de outros eventos do gênero, o que diminui seu interesse. Em Fortaleza, dos oito longas-metragens em concurso, cinco são completamente inéditos no Brasil. O filme de abertura, Do Amor e Outros Demônios , dirigido por Hilda Hidalgo, coprodução entre Costa Rica e Colômbia baseada na obra de Gabriel García Márquez, tem estreia mundial em Fortaleza. Serão vistos pela primeira vez no Brasil Alamar , do México, o espanhol A Mulher Sem Piano e os brasileiros El Último Comandante e Memória Cubana .

Completam a seleção títulos que já participaram de outros festivais, como o argentino O Último Verão de la Boyita , o cubano Lysanka e o brasileiro Estrada para Ythaca . Wolney chama a atenção para algumas características deste filme, "o único 100% brasileiro", já que os de Alice Andrade e Vicente Ferraz são coproduções. Estrada para Ythaca ganhou a Mostra Aurora, para diretores estreantes, no Festival de Tiradentes, em janeiro deste ano. Na sua ficha técnica aparecem quatro diretores – Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Guto Parente e Pedro Diógenes – que fazem também parte do elenco. "O filme custou apenas R$ 2 mil", diz Wolney. "E acredito nisso, porque os diretores são também os atores e rodaram tudo em câmera digital, uma dessas máquinas que tiram fotos mas também podem ser usadas numa filmagem."

O diretor do festival viu o longa e garante que ele não perde em qualidade para outras obras filmadas em suporte digital. "É o que está acontecendo hoje; cada vez mais a tecnologia fica barata e os resultados, melhores", diz. Estrada para Ythaca promete levantar discussão sobre a possibilidade de se fazer obras relevantes com poucos recursos. Ganhou festival e teve boa repercussão crítica onde foi apresentado. Foi citado pelo crítico Pedro Butcher em artigo para a revista Cahiers du Cinéma sobre o cinema brasileiro contemporâneo.

As mostras paralelas prometem bons filmes e boas discussões. Uma delas, Diásporas: as Fronteiras da Identidade, selecionou duas produções brasileiras e quatro estrangeiras para falar sobre o universo da imigração e da cultura multinacional em curso. Outra mostra lembra os 20 anos da Queda do Muro de Berlim e traz filmes curiosos a respeito desse fato histórico. "Um deles, Coelho à Berlinesa , é muito interessante", diz Wolney. Fala de uma colônia de coelhos que viveram sossegados e proliferaram alegremente nos arredores do Muro durante os anos da divisão entre as duas Alemanhas. "Com a queda, eles passaram a ser caçados e foram parar nos pratos dos alemães, em especial nos da ex-República Democrática Alemã." Os coelhos germânicos são vítimas, até então desconhecidas, do fim da Guerra Fria.

Os longas concorrentes:

El Último Comandante (Brasil/Costa Rica);

Memória Cubana (Brasil/Cuba/França);

Estrada para Ythaca (Brasil);

O Último Verão de la Boyita (Argentina/França/Espanha);

Do Amor e Outros Demônios (Costa Rica/Colômbia);

A Mulher Sem Piano (Espanha/França);

Alamar (México);

Lisanka (Cuba/Venezuela/Rússia)

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