Cinco filmes para quem tem estômago forte

Na esteira do polêmico 'A Serbian Film', que é exibido neste sábado no Rio, veja outros longas com cenas extremas

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Com estreia marcada para agosto no Brasil, "A Serbian Film - Terror Sem Limites" tem uma longa jornada de censura e polêmica ao redor do mundo. Confirmado na programação do festival RioFan, o filme será exibido sem cortes na noite deste sábado (dia 23), no Cide Odeon, no Rio.

Divulgação
O polêmico "A Serbian Film - Terror Sem Limites" é o novo integrante do cinema extremo

"A Serbian Film" é mais um exemplar do cinema extremo, que surgiu no gênero de horror na década de 1970 e ganhou força nos últimos 20 anos. Imagens fortes, que desafiam o estômago e os nervos do público, são sua característica marcante.

A última década foi farta para produções do gênero, que nem sempre se atém aos filmes de terror. Confira abaixo cinco longa-metragens inquietantes dessa escola.

"Irreversível" (2002)
O incômodo permeia todo o início de "Irreversível", escrito e dirigido por Gaspar Noé, argentino radicado na França. A trilha sonora, a dança das câmeras e o clima claustrofóbico de um clube sadomosoquista culminam numa cena em que um homem tem o braço quebrado e outro, a cabeça esmigalhada por um extintor de incêndio, depois de repetidos golpes. Tudo sem cortes. O mesmo procedimento é feito logo depois, quando o público testemunha a atriz Monica Bellucci sendo estuprada brutalmente numa passarela subterrânea. "Irreversível" foi saudado ou com muita ênfase, inclusive pela história não-linear, ou com indignação, caso das pessoas que deixaram o cinema quando o filme foi exibido no Festival de Cannes.

"Oldboy" (2003)
A Ásia foi terreno fértil para o cinema que desafia os nervos e o diretor sul-coreano Chan-wook Park, um de seus produtores mais bem-sucedidos. "Oldboy" é o segundo capítulo de uma trilogia do cineasta sobre vingança, formada também por "Mr. Vingança" (2002) e "Lady Vingança" (2005). Em "Oldboy", um homem passa 15 anos preso num apartamento, sem saber o motivo. Quando é libertado, extravasa todo o ódio que acumulou durante esse tempo, com muito sangue e pancadaria. Uma das cenas mais célebres é quando o personagem principal vai a um restaurante e come um polvo vivo.

Reprodução
Momento em que o protagonista de "Oldboy" come um polvo vivo dentro de um restaurante
"Anticristo" (2009)
Polêmica sempre foi o forte do dinamarquês Las von Trier, seja na fundação do Dogma 2005, manifesto em busca de um cinema-verdade, seja por suas declarações polêmicas – foi banido do Festival de Cannes há poucos meses por fazer uma brincadeira em que citava o nazismo. Quando, aliás, "Anticristo" participou da competição do evento francês, um jornalista exigiu que o diretor explica-se o motivo de ter feito algo como aquilo. O roteiro foi escrito quando von Trier passava por uma crise de depressão e conta a história de um casal (Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe) que se isola numa cabana na floresta para tentar superar a morte do filho. O personagem de Charlotte enfrenta visões e passa a apresentar um comportamento sexual extremamente violento. Quem paga o pato é o marido. E o público testemunha um show de horrores.

"A Centopéia Humana" (2009)
Dirigido pelo holandês Tom Six, "A Centopéia Humana" foi motivo de hype na web por sua premissa estarrecedora. Um cientista maluco, com todos os tiques do tipo, captura um rapaz e duas garotas para implementar o projeto de sua vida: a tal centopéia do título, formada por pessoas enfileiradas uma atrás da outra, unidas cirurgicamente pela boca no ânus. Se a história não chega a ser muito assustadora por conta da caricatura do médico, a ideia, pelo menos, o é. O diretor já terminou a sequência, "A Centopéia Humana 2", que vem enfretando problemas com a censura , e prepara um terceiro filme.

Divulgação
Experiência que une pessoas por suas bocas e ânus é o mote do filme de horror "A Centopéia Humana"
"Batalha Real" (2000)
O veterano cineasta japonês Kinji Fukasaku tem mais de 60 filmes no currículo, mas seu trabalho mais celebrado, "Batalha Real" (ou "Battle Royale", como ficou famoso), foi também o último – ele morreu pouco tempo depois, aos 72 anos. Adaptado do livro de Koushun Takami, o roteiro apela para o absurdo e para a violência para divertir. Numa realidade alternativa, com elevados indíces de desemprego e à beira do caos, o governo japonês aprova uma reforma educacional com o objetivo de impor respeito a uma juventude desenfreada: uma vez por ano, uma turma de pré-adolescentes de uma escola aleatória é escolhida e os alunos são presos numa ilha aos cuidados do exército. Cada um recebe uma arma diferente e o objetivo é simples – matar os colegas. Ganha quem chegar vivo no final. Quem não quiser cooperar, tem o colar preso ao pescoço acionado e a cabeça vai pelos ares. Muito sangue e humor negro dão a tônica do filme, que tem uma belíssima atuação do ator e diretor Takeshi Kitano.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG