"Cilada.com" perde a graça que tinha na TV

Humor pueril e protagonista sem carisma colocam comédia com Bruno Mazzeo na corda-bamba

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Levado ao ar por seis temporadas no canal a cabo Multishow e com uma edição especial no programa "Fantástico", a série "Cilada" conquistou fãs ao colocar o cotidiano debaixo de uma lupa e achar uma graça que nem sempre está visível a olho nu. A boa recepção impulsionou a equipe a desenvolver um longa-metragem, que chega aos cinemas nesta sexta-feira (dia 8), escrito e estrelado por Bruno Mazzeo, comediante em ascensão no país.

Divulgação
Fernanda Paes Leme e Bruno Mazzeo em "Cilada.com"

"Cilada.com", como o próprio nome já entrega, envolve internet, mas de um modo bem diferente de como o programa de TV discutia seus assuntos. Os comentários do protagonista Bruno sobre as cenas e a abordagem enciclopédica com a qual coisas do dia-a-dia eram abordadas, que Jorge Furtado já fazia lá em "Ilha das Flores", sumiram para dar lugar a uma estrutura clássica, sem arroubos. O formato que o distinguia e lhe rendia elogios, portanto, se perdeu.

Dizem os realizadores – o diretor José Alvarenga Jr. ("Os Normais", "Divã") e Mazzeo – que a ideia era distanciar um produto do outro e contemplar a "galera mais nova". Na prática, fez-se uma confluência de gêneros (comédia + romance) e a opção pelo humor físico, próximo ao que se vê na televisão, embora um pouco mais apimentado.

Bruno, nome do ator e do personagem, trai a namorada em uma festa de casamento de forma constrangedora, em dívida com o pastelão (sombras sugestivas, senhoras desmaiando). Como vingança, a mulher traída ( Fernanda Paes Leme ) coloca no YouTube um vídeo em que o namorado deixa a desejar na cama. A gravação vira hit na web e ele tenta bolar um jeito de restabelecer sua reputação.

A resposta vem na forma de Marconha (Serjão Loroza), videomaker envolto numa nuvem de fumaça, que filmaria, a princípio, Bruno numa transa espetacular. O único problema é achar a garota disposta a encarar o vídeo. Daí surge boa parte das esquetes que se sucedem no roteiro, escrito por Mazzeo em parceria com Rosana Ferrão, colega desde os tempos da TV.

Tentando dar maior peso às piadas, os roteiristas transformaram Bruno num típico sujeito sem noção, praticamente insuportável: estúpido com as mulheres, péssimo profissional, pouco inteligente. Ao invés de uma caricatura, criaram um monstro antipático e, por isso, nada engraçado.

O alívio estaria no viés romântico (e piegas) da história, já que o herói caído tenta reconquistar a amada. Na teoria, o público devia torcer para que os dois ficassem juntos no final, mas se prevalece a ideia de que ninguém no mundo aceitaria passar de novo por aquela situação, a manobra vai por água abaixo.

Restam um punhado de participações especiais (Carol Castro, Fabiula Nascimento, Fulvio Stefanini, Luis Miranda, Dani Calabresa) e personagens da série que, transpostos para o cinema, perderam em contexto e relevância. Um desperdício do talento de Thelmo Fernandes e Augusto Madeira, respectivamente colega de trabalho e amigo americanizado do protagonista.

Não que não haja cenas engraçadas em "Cilada.com", mas é preciso se esforçar, ter paciência e boa vontade para enxergá-las no meio de tanto exagero e textos da escola "Zorra Total" de humor. Experiências mais ousadas, como as cenas do travesti e da clínica de ejaculação precoce, são pueris e não tem maior impacto.

Até pode contentar a tal "galera mais nova" que aprovou "Muita Calma Nessa Hora" e está em busca de um besteirol made in Brazil. Mas para quem curte a turma de Judd Appatow ("Superbad", "O Virgem de 40 anos") e de Todd Phillips (da série "Se Beber, Não Case" ), a decepção é quase certa.

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