Christina Aguilera solta a voz no cabaré de "Burlesque"

Longa-metragem deixa os dramas dos personagens de lado e aposta nos números músicais

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Christina Aguilera em "Burlesque": papel de garçonete que vira cantora é estreia da artista nos cinemas
A vida de Christina Aguilera daria um filme triste, mas com final feliz. A jovem filha de mãe solteira, que sofre com a figura de um pai violento e enfrenta todas as dificuldades para fazer sucesso na carreira artística, é uma personagem e tanto para Hollywood, principalmente nestes tempos sombrios de crise econômica, em que os norte-americanos procuram esquecer as agruras do dia-a-dia no escuro da sala de cinema.

"Burlesque", de Steve Antin, estreia de Aguilera como atriz, é construído com alguns desses ingredientes. Mesmo que Ali, a personagem interpretada pela cantora, não tenha enfrentado tantas dificuldades, sua alma está impregnada pelo sofrimento de quem lhe empresta o corpo.

A loirinha divertida e repleta de planos, que joga para o ar o avental de garçonete num bar em Iowa, para viver o sonho de ser cantora em Los Angeles, é a história de muitas jovens. Mas nem todas chegaram onde Aguilera e Ali aportaram.

Sabendo um pouco do passado da cantora, não há como não sentir simpatia por Ali. Mesmo trabalhando como garçonete no Burlesque, um bar de strip-tease em Los Angeles (emprego que conseguiu na marra), a incansável Ali não sossega até convencer a proprietária, Tess (a cantora Cher, afastada do cinema desde 2003, quando fez "Ligado em Você"), a contratá-la como dançarina de sua companhia, que diverte os frequentadores do bar.

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A cantora Cher interpreta a dona do cabaret e única estrela da casa - até a chegada de Aguilera
O passo seguinte é convencê-la de que pode cantar. Só a personagem de Cher tem esse privilégio. As demais coristas apenas interpretam os números coreografados por Tess com figurinos de Sean (Stanley Tucci, de "O Diabo Veste Prada), numa ambientação que não disfarça ser inspirada em "Cabaret" (1972), de Bob Fosse.

Mas "Burlesque" não é "Cabaret" nem tampouco "Moulin Rouge", de Baz Luhrmann. Nem Aguilera é Liza Minnelli ou Nicole Kidman. Tudo isso conta contra esse musical de Steve Antin. Seu filme não mergulha nos dramas e desafios dos personagens. Tess também é uma sofredora, pois está afundada em dívidas e prestes a perder o clube. O diretor prefere seguir a máxima de que o show tem de continuar, apesar de tudo.

E, aqui, o problema é que o show se estende por infindáveis 116 minutos, com a apresentação de sucessivos números de dança, que servem de aperitivo para o momento mais aguardado, quando Aguilera finalmente será autorizada a cantar. E ela consegue esse privilégio de forma inesperada, ao entoar à capela um blues de Etta James ("Tough Love"), com uma voz potente, que deixa a plateia comovida.

A boa recepção à performance da cantora serve de estímulo para Tess reformular os números musicais de seu cabaré, colocando Ali como protagonista. É a gota d'água para Nikki (Kristen Bell), a competitiva dançarina que era destaque da companhia, mas caiu em desgraça por causa da bebida e agora vê em Ali uma rival perigosa. Mas a loirinha não quer prejudicar ninguém, só pensa em fazer o que mais gosta: cantar.

Enquanto os números musicais prosseguem, ainda há tempo para criar uma história romântica para Ali, assediada por um construtor e frequentador do bar, Marcus (Eric Dane, de "Grey's Anatomy"), e cobiçada pelo garçom Jack (Cam Gigandet), com quem divide o apartamento onde mora.

"Burlesque" venceu um Globo de Ouro - melhor canção original ("You Haven't Seen the Last of Me").

Assista ao trailer de "Burlesque":

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