Caso verídico inspira drama de tribunal "A Condenação"

Filme retrara a perseverança de uma garçonete para livrar o irmão da prisão perpétua

Reuters |

Depois de oito anos, finalmente a roteirista Pamela Gray conseguiu retirar do papel "A Condenação" (2010), que chega com atraso ao Brasil. Em meio a um conturbado começo, que levou o estúdio Universal a dispensar o projeto em 2004, financiamentos privados contribuíram para concretizar esta história real sobre perseverança.

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Sam Rockwell e Hilary Swank em "A Condenação": atores concordaram em trabalhar com baixo orçamento
Em 1983, Kenny Waters (Sam Rockwell) foi condenado à prisão perpétua por um bárbaro assassinato em Massachusetts (EUA), do qual, segundo suas amantes, gabava-se de ter cometido. No entanto, sua solidária irmã Betty Anne (Hilary Swank) está convencida de que o rapaz é inocente.

Os irmãos não têm condições de pagar um advogado e o destino de Kenny estava fadado a uma cela. O amor fraterno, porém, fala mais alto e Betty, uma garçonete mãe de dois filhos pequenos, volta a estudar para prestar uma faculdade de Direito e, assim, defender seu irmão. Mesmo que para isso tenha de sacrificar a convivência com seus filhos e marido.

Como o julgamento é baseado em interpretações de namoradas de Kenny e a criminalística forense ainda patinava na análise das provas, Betty vê aí uma oportunidade de remediar o final trágico de seu irmão. Para isso, contará com a ajuda da amiga Abra Rice (Minnie Driver), muleta moral da protagonista, em um caso que se prolongou até 2002.

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Além de atuar, Hilary Swank também foi produtora de "A Condenação"
Trata-se, portanto, de uma história de amor e dedicação, cujo desfecho só não é mais inusitado do que os bastidores da produção. Além de passar oito anos remoendo seu roteiro, Pamela Gray levou o projeto como uma vitória pessoal, tanto que os atores principais concordaram em trabalhar com baixo orçamento.

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Hilary Swank, que não era a primeira opção para o papel, pois substituiu Naomi Watts, tornou-se também produtora do filme. O que deu muita dor de cabeça para a atriz, pois a família da vítima, Katharina Brow, chegou a contratar advogados para processá-la por não consultá-los na construção do roteiro. Vale lembrar que a moça apenas aparece morta na primeira cena do filme.

A própria história só foi levada adiante depois de uma reportagem do programa jornalístico de TV norte-americano "60 Minutes", em 2002, mostrar que havia um frenesi dos estúdios em filmar o caso. O problema se centrava nos direitos reservados para os amigos da organização não-governamental "Projeto Inocência", que assistiu Betty na etapa final do processo.

Apesar dos problemas internos, o elenco mostra solidez na pele de seus personagens. A desenvoltura de Sam Rockwell, Hilary Swank e Juliette Lewis, em participação especial, dá força à trama, que poderia cair no caricatural. Por essa razão, Hilary não quis conhecer sua personagem real até o começo das filmagens.

Betty Waters chegou a dizer à imprensa que o filme é muito verdadeiro. "Não que todas as cenas tenham ocorrido, mas as emoções estão lá", afirmou. Esta é a razão de Pamela Gray se compenetrar tanto em seu roteiro e, no fim, conseguir a adesão de financiadores e elenco.

O diretor Tony Goldwyn (o vilão de "Ghost - Do Outro Lado da Vida") já trabalhou com a roteirista em "A Walk on the Moon", ainda inédito no Brasil. Cabe a ele a responsabilidade pela fragmentação do conflito e os vícios, situações batidas que se veem na tela. Porém, "A Condenação", como história real, transcende os fatos para se tornar exemplo. Estão aí a perseverança, abnegação e foco de Betty, que continua trabalhando num bar em Massachusetts.

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