Cary Grant: 25 anos sem o 'inventor da mocidade'

Ator sabia o momento certo de olhar e de falar e se tornou extremamente versátil

Fernando Luiz Mendes Pinheiro, especial para o iG |

Divulgação
O ator Cary Grant
“Nós amávamos Gary Cooper, Clark Gable, e Bing Crosby. Mas eles envelhecerem, Cary Grant não.”

Assim David Shipman, renomado crítico norte-americano de cinema, resumiu aquele que seduziu multidões durante 34 anos seguidos.

Aos 29 anos de idade, ele fazia Mae West cair a seus pés; aos 51 era a vez da belíssima Grace Kelly sucumbir ao seu charme e, aos 59, uma irresistível – e 25 anos mais jovem – Audrey Hepburn se derretia por ele no delicioso thriller “Charada”.

Nascido Archibald Alexander Leach, em 18 de janeiro de 1904, na cidade inglesa de Bristol, foi para Hollywood e virou sinônimo de charme e sofisticação. Quando entrava em cena, sua classe fazia com que os demais atores parecessem ter nascido no Bronx. James Mason afirmava que Cary Grant foi o ator mais representativo da belle-époque de Hollywood. Não restam dúvidas.

Sua carreira foi extremamente estável, embora ele tenha pensado em encerrá-la no início dos anos 1950, por estar desanimado com os papéis que havia feito nos últimos filmes e conjecturando que talvez obtivesse menos sucesso do que antes perante o público. Pura bobagem. Desde 1944, o nome Cary Grant sempre foi o primeiro a surgir na tela, não importando quais fossem os atores ou atrizes com quem atuasse. Seu maior sucesso veio em 1959, com “Anáguas a Bordo”, mesmo ano do extremamente exitoso “Intriga Internacional”, de Alfred Hitchcock.

O talento desse grande ator foi se lapidando durante seus 34 anos de carreira. No início, mr. Grant abusava das caretas e, a partir delas, construía interpretações onde o mérito se encontrava fundamentalmente no exagero. O amadurecimento veio gradativamente e, principalmente a partir dos anos 1950, ele foi se tornando um ator quase perfeito - e, em muitas ocasiões, um “underplayer” (termo utilizado quando uma representação é tão natural que parece transcender a ficção). O elo entre esses períodos, algo que o tornou inimitável e insubstituível, era seu maravilhoso senso de “timing”.

Essa virtude, muito copiada mas jamais igualada, consistia no tempo certo entre olhares e falas, além de sutis expressões faciais, onde a popular “deixa” adquire papel fundamental. Assim, Cary Grant se tornou um ator extremamente versátil, com interpretações notáveis tanto em comédias (“Levada da Breca”, “Inventor da Mocidade”) quanto em dramas (“Crise”) e em filmes de suspense/aventura (“Interlúdio”, “Ladrão de Casaca”).

E mr. Grant não envelhecia. Em “Intriga Internacional”, a atriz que faz o papel da mãe do personagem de Cary Grant, Jessie Royce Landis, tinha a mesma idade que ele. Absolutamente incrível.

Em 1966, com o nascimento de sua única filha, Jennifer, fruto de seu casamento com a atriz Dyan Cannon - o quarto -, Cary Grant decidiu parar. E jamais voltou.

Há 25 anos ele se foi - aos 82 anos de idade. Pode-se desconfiar, no entanto, que São Pedro o chamou receoso de que ele comercializasse sua fórmula da mocidade, protelando por cerca de 20 anos a entrada de clientes no Paraíso.

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