"Bruna Surfistinha" se apoia no sexo

Com pouca roupa, Deborah Secco mantém interesse na adaptação de best-seller

Marco Tomazzoni, iG São Paulo | 24/02/2011 17:44

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Foto: Divulgação

Deborah Secco em "Bruna Surfistinha": atriz se esforçou para viver papel de garota de programa

Você já viu essa história antes – e não é porque "O Doce Veneno do Escorpião" vendeu 250 mil exemplares e foi traduzido para 15 idiomas, como um letreiro de "Bruna Surfistinha" faz questão de lembrar. O filme que chega aos cinemas nesta sexta-feira (25) já ganha terreno por tratar de um assunto apimentado – as memórias da ex-garota de programa Raquel Pacheco – e pela presença de Deborah Secco com pouquíssima ou nenhuma roupa, o que justifica a estreia em mais de 350 salas. No fundo, é uma daquelas clássicas parábolas de rebeldia, ascensão, queda e redenção – que, no caso de uma prostituta, em geral passa pelo casamento com um cliente. Até aí, nenhuma novidade. O estofo que mantém o filme de pé, portanto, é feito basicamente de sexo. Conheça algumas das garotas de programa mais famosas do cinema

Não que o diretor estreante Marcus Baldini, egresso do mercado publicitário, não tentado dar profundidade dramática à história. No início, Raquel é uma desajeitada estudante secundarista de classe média com problemas de auto-estima e sexualidade borbulhante – logo nos créditos, Deborah Secco, numa camisola de bichinhos, entra num videochat e dança ao som de "Time of the Season", do grupo britânico Zombies. Chamada de nerd, ela sofre na escola e se sente perdida em casa. Adotada, a adolescente foge de casa depois de um escândalo na internet e acha uma boa ideia ir ganhar a vida numa casa de prostituição, um "privê" comandado por Drica Moraes.

O primeiro programa é chocante – num plano sem cortes, Raquel, agarrada na cabeceira da cama, aguenta o peso de Tato Gabus Mendes com um misto de dor e desespero. Mas ela logo pega o jeito, na primeira semana atende 30 homens ("mais que muita mulher na vida inteira", reflete), ofusca as colegas de ofício e em pouco tempo a "patricinha", como era vista, já está segura de si, linda e bem falada na praça. O estalo que a leva à fama vem mais tarde, quando cria um blog, narra seus programas e ranqueia os clientes. Pronto, eis uma celebridade nacional, com seu devido nome artístico: Bruna Surfistinha.

Funciona? Meio sem jeito, mas funciona. O principal problema do filme de Baldini são as metaformoses relâmpago da protagonista. De uma hora para outra, Raquel se converte de garota ingênua em expert da sedução, adquirindo, inclusive, coragem para pegar uma tesoura e ameaçar uma colega com jeito de veterana das ruas – mudança tão repentina que provoca humor involuntário. Fica-se sabendo das motivações para o meretrício: Bruna procurava a vida de celebridade, admite, não para ser famosa, mas para "ser amada".

A fama, como de praxe, traz más companhias e Bruna mergulha nas drogas. Óbvia, a decadência evolui de forma trôpega e a melhor caracterização da derrocada da estrela é o esmalte descascado. Como justificar a cena de Bruna parada na chuva, incógnita, olhando para sua antiga casa, ao som de "Fake Plastic Trees", do Radiohead? Mais do que um roteiro ralo, uma direção frouxa.

Sobra, então, espaço para o elenco aparecer. Não tem para ninguém quando a cafetina de Drica Moraes entra em cena – seca, maliciosa, é um dos grandes trunfos do filme. Fabiula Nascimento ("Estômago"), em sua segunda prostituta nas telas, faz o que pode com seu personagem secundário, sempre chamando a atenção, mais do que a melhor amiga de Bruna, vivida por Cris Lago, outra que ganhou seu primeiro papel de destaque no cinema como uma garota de programa ("Olhos Azuis").

Deborah Secco, sem dúvida, deu tudo de si para "Bruna Surfistinha". Engordou, fez laboratório, treinou caras e bocas. Se não é a próxima grande dama do cinema brasileiro, não decepciona e mantém o olhar atento do espectador. A nudez ajuda, é claro. E o sexo. Muito sexo. Além de não discriminar clientes – jovens, velhos, negros, brancos, cabeludos, gordos, magros –, Bruna satisfaz fantasias alheias. Genitálias não são mostradas, mas de resto, não falta muita coisa. Consolos, lingeries, taras, felação, escatalogia... A lista é grande, e justifica a censura de 16 anos.

Ao mesmo tempo, "Bruna Surfistinha" não choca. Apesar do drama estar na linha de frente, fica claro que a ideia era conduzir a trama com a maior leveza possível, abrindo espaço para um alívio cômico aqui e ali. Perfeito para conquistar o público, fomentar o boca a boca e lucrar nas bilheterias. Nisso, a mira foi certeira.

Assista ao trailer de "Bruna Surfistinha":

 

Deborah Secco dá recado aos internautas do iG:

 

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