Brad Pitt rejeita ideia de trabalhar como diretor: 'Ficaria longe da minha família'

Indicado ao Oscar, ator fala sobre a relação entre o cinema e sua vida privada e sobre o trabalho em 'A Árvore da Vida'

AFP |

Feliz, perfeccionista e muito apegado à família, o ator Brad Pitt curte cada vez mais as alegrias do trabalho de produtor de cinema, com o qual tenta dar uma oportunidade a projetos que não seriam concretizados sem o apoio de um astro de Hollywood e vê seu trabalho reconhecido com várias indicações ao Oscar.

O ator de 48 anos foi um dos 150 indicados ao Oscar a comparecer nesta semana ao almoço organizado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em Beverlly Hills.

Divulgação
Brad Pitt e Jonah Hill em "O Homem que Mudou o Jogo"
Depois de ter sido indicado em 1996 como coadjuvante por "Os 12 Macacos" e em 2009 como protagonista por "O Curioso Caso de Benjamin Button, Pitt voltou a ser reconhecido neste ano por "O Homem que Mudou o Jogo", com indicações de melhor ator e filme, já que é um dos produtores do longa-metragem.

A história de um dirigente de beisebol que revoluciona o esporte no início dos anos 2000 nunca teria saído do papel se Brad Pitt não tivesse investido no projeto. "Isso é o que mais gosto no trabalho de produtor. Todos os filmes citados hoje não teriam visto a luz se alguém não tivesse a impressão de que poderiam ser bons filmes, e depois a possibilidade e a coragem para executá-los", declarou à AFP.

Além de "O Homem Que Mudou o Jogo", no qual investiu como um projeto pessoal, Pitt também é muito atuante em sua produtora Plan B Entertainment, que contribuiu para o financiamento, por exemplo, do filme de Terrence Malick "A Árvore da Vida", no qual atua e que também foi indicado ao Oscar de melhor filme.

Os olhos do ator brilham ao lembrar da experiência de trabalhar com um dos mestres do cinema norte-americano, que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado. "Terrence levantava de manhã e escrevia um mar de ideias sobre as cenas do dia, depois vinha e nos mostrava as páginas. E nós geralmente não fazíamos mais do que duas tomadas de cada cena", recorda. "Não é um diretor que deseja que 'interpretemos' as cenas. Quer que nos 'descolemos' e ele estará lá para capturar esses momentos, que para ele se parecem com a vida", explicou.

"Por isso as crianças do filme não recebiam o roteiro. Elas iam e se vestiam como queriam a cada dia, isso não importava. Era como brincar, tentar recriar a vida e capturar esses momentos", disse. "Era uma ideia muito interessante para mim. Dá um frescor, um caráter imediato, porque você está como você mesmo, ao invés de simular que está por conta própria".

Incansável e muito solicitado, Brad Pitt optou no entanto por afastar-se um pouco dos sets em 2011, enquanto sua mulher, a atriz Angelina Jolie, trabalhava no lançamento e promoção de seu primeiro filme como cineasta: a história passada na guerra Bálcãs "In the Land of Blood and Honey".

"A família vem em primeiro lugar", disse o ator, que tem seis filhos com Jolie, três deles adotados. "No último ano, precisava passar mais tempo com minha família, assim tirei um tempo para desenvolver projetos."

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Ao ser questionado se gostaria de seguir os passos de Angelina e atuar como diretor, foi sincero: "Não. Isso seria demais, sou muito perfeccionista. Ficaria longe da minha família por muito tempo e não sei se isso beneficiaria alguém. Prefiro ficar do lado das histórias, trabalhar como produtor criativo e como ator. Há muitas coisas que tenho vontade de fazer e não quero dedicar-me a fazer filmes durante as 24 horas do dia", concluiu.

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