Belas Artes se despede nesta quinta com programação especial

Sem conseguir resolver impasse do aluguel, cinema de São Paulo encerra atividades com clássicos da sétima arte

iG São Paulo |

Divulgação
Anita Ekberg em cena de "A Doce Vida"
O Belas Artes vai mesmo fechar. Depois de vários adiamentos e da mobilização do público, a tradicional sala de São Paulo se despede nesta quinta-feira (17) com uma programação especial, batizada de “A Última Sessão do Cinema”, uma referência ao filme de 1971. As seis salas do espaço vão exibir em seus últimos horários longas-metragens clássicos do cinema mundial, entre eles "A Doce Vida", de Federico Fellini, e "O Leopardo", de Luchino Visconti.

O impasse sobre o valor do aluguel do imóvel não foi resolvido. O proprietário do prédio, Flávio Maluf, exigia R$ 150 mil mensais, enquanto os administradores do cinema, com apoio de patrocinadores, chegaram a R$ 85 mil, o que totalizaria mais de R$ 1 milhão ao ano. Uma discussão sobre possíveis atrativos para Maluf, como a participação nos lucros da bilheteria, não deu frutos e o contrato de locação, expirado no fim de fevereiro, não será renovado.

O fechamento do Belas Artes veio a público no início de janeiro. O dono do imóvel havia decidido reiscindir o contrato do cinema para dar lugar a uma loja. A notícia mobilizou multidões na internet e cinéfilos se mobilizaram para evitar o pior – foram realizadas passeatas e abaixo-assinados virtuais. A causa ganhou adeptos famosos como o ex-governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab e os secretários estadual e municipal de Cultura, Andrea Matarazzo e Carlos Augusto Calil.

A esperança veio na forma de um processo do Conpresp, Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. Desde janeiro, a entidade trabalha em um parecer sobre o tombamento do prédio que abriga o cinema. O processo tem previsão de se estender até abril e, nesse meio tempo, a fachada do imóvel não pode ser alterada.

Fundado em 1943, o Belas Artes tornou-se, a partir de 1967, referência de cinema de arte na cidade de São Paulo. Por exibir obras de cineastas consagrados com programação diversificada, foi ponto de encontro da cena cultural da época e celeiro de ideias para toda uma geração de realizadores, em especial do chamado cinema marginal. Desde 2003, a sala estava a cargo dos sócios Pandora e O2 Filmes.

Em comunicado, o sócio-proprietário André Sturm confirma, como o iG adiantou em janeiro, que o Belas Artes vai continuar , mas em um novo local. "A proposta de difundir o que há de melhor na cinematografia mundial, ofício acompanhado apaixonadamente por cinéfilos de tantas gerações, não deixará de existir, já que estamos em busca de um novo endereço", diz Sturm.

Confira abaixo os filmes que integram a programação de despedida do Belas Artes:

Sala 1/Villa-Lobos: "A Doce Vida" ("La Dolce Vita"), às 21h
Itália, p/b, 1960, 174min
Direção: Federico Fellini
Elenco: Marcello Mastroianni, Anita Ekberg e Anouk Aimée
Sinopse: Roma, início dos anos 60. O jornalista Marcello vive entre as celebridades, ricos e fotógrafos que lotam a badalada Via Veneto. Neste mundo marcado pelas aparências e por um vazio existencial, freqüenta festas, conhece os tipos mais extravagantes e descobre um novo sentido para a vida.

Sala 2/Candido Portinari: No Tempo do Onça ("Go West"), às 21h30
EUA, 1940, p/b, 80min
Direção: Charles Riesner
Elenco: Groucho, Chico, Harpo e John Carroll
Sinopse: Nesta louca comédia os irmãos Marx vão para o Oeste, um lugar onde o sol sempre brilha, a diversão nunca tem fim e onde eles passam a perna em um ladrão de terras.

Sala 3/Oscar Niemeyer: "O Leopardo" ("Il Gattopardo"), às 20h30
Itália, 1963, cor, 205 min
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Alain Delon
Sinopse: Sicília, durante o período do "Risorgimento", o conturbado processo de unificação italiana, o príncipe Don Fabrizio Salina testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia, lutando para manter seus valores em meio a fortes contradições políticas.

Sala 4/Aleijadinho: "O Joelho de Claire" ("Le Genou de Claire"), às 21h30
França, 1970, cor, 105 min
Direção: Eric Rohmer
Elenco: Jean-Claude Brialy, Aurora Cornu e Béatrice Romand
Sinopse: Um diplomata passa as últimas férias de solteiro às margens do lago Annecy. Lá ele reencontra uma amiga que alugou um quarto na casa de uma senhora e suas duas filhas, Laura e Claire. Logo a amiga avisa que Laura está interessada nele, incentivando-o a ter um último namoro antes do casamento. Mas o diplomata está mais interessado em Claire, tendo um desejo obsessivo de acariciar seu joelho.

Sala 5/Carmen Miranda: "O Águia" ("The Eagle"), às 21h20
EUA, 1925, p/b, 70 min, mudo
Direção: Clarence Brown
Elenco: Rodolfo Valentino, Vilma Bánky e Louise Dresser
Sinopse: Uma czarina russa é apaixonada por um soldado, mas ele a rejeita. Por isso, ela pede a cabeça do rapaz a prêmio. Ao mesmo tempo, ele resolve usar uma máscara e se tornar o Águia, um justiceiro popular no estilo de Robin Hood. Mal sabe ele que sua principal vítima é pai de uma outra jovem por quem está apaixonado.

Sala 6/Mario de Andrade: "Queimada!" ("Queimada!"), às 20h20
Itália/França, 1970, 115 min
Direção: Gillo Pontecorvo
Elenco: Marlon Brando, Renato Salvatori e Evaristo Márquez
Sinopse: Numa de suas melhores interpretações, Marlon Brando é um agente britânico que insufla a revolta numa colônia portuguesa e depois a esmaga com cinismo. O filme foi proibido durante anos no Brasil.

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