Ascensão e queda de Mel Gibson

Como um dos atores mais celebrados de Hollywood quase acabou com a própria carreira

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Ao estrelar em 1979 a ficção científica australiana "Mad Max", o então iniciante Mel Gibson dava - talvez sem perceber - seu primeiro passo em direção ao topo de Hollywood. O longa-metragem, que se tornou cult ao mostrar a história de vingança de um policial num mundo pós-apocalíptico, serviu de passaporte para o ator voltar à sua terra natal - apesar de ter crescido na Austrália, Gibson nasceu nos EUA.

Logo após lançar a terceira parte de "Mad Max", o ator estrelou em 1987 seu primeiro sucesso em Hollywood, o policial "Máquina Mortífera", no qual interpretou o depressivo e imprevisível policial Martin Riggs - tendo ao seu lado o reclamão Roger Murtaugh (Danny Glover).

Os elogiados "O Homem sem Face", de 1993, e "Maverick", de 1994, serviram para preparar Gibson para o que viria a ser o ápice de sua carreira: "Coração Valente", produção que ele dirigiu e estrelou e que em 1996 rendeu a ele dois Oscars - melhor filme e direção.

No topo de Hollywood, o astro encerrou a década de 1990 com sucessos comerciais como "O Preço de um Resgate" (1996), "Teoria da Conspiração" (1997), "O Troco" (1999) e "Do Que as Mulheres Gostam" (2000). Nessa época, além de cineasta bem-sucedido, Gibson tinha fama de ser um sujeito extremamente familiar, casado há 20 anos com sua namorada de adolescência, Robyn Denise Moore, com quem teve sete filhos.

A queda

Depois de estrelar o suspense de ficção "Sinais", em 2002, Gibson envolveu sua produtora, a Icon Productions, em dois projetos de direção ousados: "A Paixão de Cristo", que foi bastante criticado em 2004 pelas cenas de violência e por antissemitismo (ele nega), e "Apocalypto", que em 2006 retratou um momento crucial da civilização Maia falado em sua própria língua.

No mesmo ano em que "Apocalypto" chegava às telas, Gibson enfrentava problemas em sua vida pessoal. Após ser detido em 28 de julho por dirigir sob influência de álcool, o ator disparou um comentário antissemita ao policial (judeu) que o prendera. "Malditos judeus... os judeus são responsáveis por todas as guerras do mundo", teria dito Gibson na ocasião.

Um dia após a prisão, seu casamento de 26 anos chegava ao fim. Robyn Gibson alegou "diferenças irreconciliáveis" com o marido, que entrava no primeiro dos seus quatro anos de ostracismo em Hollywood.

Violência doméstica

Mas se o objetivo de Gibson ao distanciar-se dos filmes era reestruturar a carreira e afastar-se dos tablóides, ele não poderia ter cometido mais erros. Enquanto lutava para reconquistar o respeito principalmente da comunidade judaica, surgia um novo problema: em julho de 2010, uma ex-namorada, a pianista e cantora russa Oksana Grigorieva, o acusava de violência doméstica.

A denúncia vinha seguida de uma gravação telefônica em que Gibson a responsabilizava por arruinar sua carreira, classificando-a como uma "vagabunda egoísta". Além de ameaçar a moça, com quem teve uma filha depois de se divorciar, Gibson criticava seu jeito de vestir, afirmava ter passado embaraços por suas "roupas indecentes" e dizia que, caso fosse estuprada por "um bando de negros", a culpa seria toda dela.

Divulgação
Gibson dirige Jim Caviezel em "A Paixão de Cristo", longa-metragem que causou polêmicas em 2004
A repercussão enterrou a reputação do ator. A agência que o representava rompeu seu contrato, ciente do esforço que seria tentar salvar a imagem do astro - também acusado de racismo por utilizar a palavra "niggers" (uma maneira pejorativa de se referir aos negros nos EUA) no polêmico telefonema.

O retorno

Após todos esses terremotos, restou a Gibson contar com a ajuda dos poucos amigos que ainda eram fieis a ele. A mais importante dessa lista foi a atriz Jodie Foster, que dirigiu e contracenou com o ator em "Um Novo Despertar" , drama exibido no Festival de Cannes deste ano e que estreia no Brasil nesta sexta (27 de maio).

Em Cannes, Foster não poupou elogios ao colega, afirmando que ele é "bom, leal e complexo". Resta saber se esse esforço é capaz de reverter o estrago feito por uma sequência de polêmicas geradas por Gibson, que não precisa provar seu valor diante das câmeras, mas fora delas.

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