As Doze Estrelas é absurdo astrológico

Filme que inaugurou competição do Festival de Paulínia fracassa ao abordar o zodíaco

Marco Tomazzoni |

Divulgação
Leonardo Brício em As Doze Estrelas: não há horóscopo que preveja um bom filme
A competição de longas-metragens de ficção do Festival de Paulínia, na noite de ontem, começou bem-humorada, embora de forma involuntária. As Dozes Estrelas , dirigido por Luiz Alberto Pereira, o Gal ( Hans Staden , Tapete Vermelho ), parece atender às perspectivas de mercado almejadas pelos curadores, já que envereda pelo mundo astrológico, esquecido pelo cinema e público brasileiros – a produção, inclusive, foi contemplada com recursos do município. Mas o resultado é tão confuso e absurdo que resta ao espectador tentar rir, numa espécie de aventura nonsense.

Herculano Fontes (Leonardo Brício) é um astrólogo famoso que acaba de ser contratado por uma emissora para trabalhar na nova novela da casa. Sua missão é orientar a autora (Débora Duboc) e falar pessoalmente com as doze atrizes principais, cada uma de um dos 12 signos do zodíaco. Eis que o Destino em pessoa – Paulo Betti, de chapéu coco, luvas e bengala – bate à porta do rapaz e alerta: a morte o espreita e ele precisa se “deixar levar” pelos próximos acontecimentos.

Poderia servir também como um conselho para o público, que a partir daí embarca numa sucessão de sequências desconexas. Ao procurar as atrizes, Herculano se depara com clichês de cada um dos signos – a ariana gosta de aventura, a virginiana, de arrumação, a pisciana tem fé, e por aí vai. A “aula” na maior parte das vezes não faz o menor sentido e o roteiro – com consultoria da astróloga Barbara Abramo – consegue reunir ao mesmo tempo frases feitas (“a vida nada mais é do que um mar de coisas”) e loucuras esotéricas (“nossa causa é a cachoeira da memória”).

Isso ainda é pouco para uma história em que o personagem principal troca de corpo, volta a ser criança, vira um gato preto e protagoniza uma bizarra cena de sexo com a atriz de Touro. O alívio cômico real é a empregada vivida por Claudia Mello, tão perdida quanto o público. Um fracasso, com direito ao mais trivial e constrangedor dos desfechos. Assim como no ano passado, com Destino , de Moacyr Góes, Paulínia teve sua piada na competição. Melhor acabar por aí.

* O repórter viajou a convite do festival


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