Artista chinês diz que personagens de "Avatar" são plágio

"Muitos me recomendaram denunciá-los, mas nos EUA não há justiça, tudo se regula pelo dinheiro", disse o criador de "Manimals", Daniel Lee

EFE |

O artista chinês Daniel Lee disse em entrevista a Efe que os "Na'vi", personagens do filme "Avatar" (2009), de James Cameron, foram inspirados em seus "manimals", uma mistura entre animais e seres humanos que ele criou na década de 1990 e que atualmente é exibida em Pequim.

Reprodução
A personagem Neytiri, do filme "Avatar", e uma das obras do artista plástico chinês Daniel Lee
"Acredito na teoria darwinista. Se pensarmos que o ser humano tem mais de 50 milhões de anos de evolução, a civilização começou praticamente ontem", completou. Isto significa "que dentro de você e de mim ainda há uma grande quantidade de instintos animais. Isso é o que me fez começar a criar esta série", declarou Lee, cujo nome em chinês é Li Xiaojing.

Conhecido por suas fotografias, Lee tem trabalhos incluídos em coleções públicas e privadas no Brooklyn Museum of Art de Nova York, no Museu de Arte de Xangai, no Museu Nacional de Arte de Taiwan e no Museu da Moda de Paris.

Em sua retrospectiva, inaugurada em outubro na galeria Bridge, localizada no distrito artístico de Dashanzi, em Pequim, seus personagens humanos com cara de macacos e olhos de lagarto observam os visitantes nas séries "Manimals", "Origins" e "Nightlife", que Lee criou nas últimas duas décadas.

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A semelhança com os habitantes azuis do fictício planeta Pandora de "Avatar" é mais do que evidente, mas o artista mede cada uma de suas palavras ao falar do assunto, com medo de qualquer conflito com a produtora e distribuidora 20th Century Fox.

"É preciso levar em conta que nos Estados Unidos há um problema com os direitos autorais e de propriedade intelectual. Se um indivíduo ou uma companhia copia alguém com modificação superior a 25% não há como denunciá-los", explicou.

Após alguns segundos de reflexão, o artista prossegue: "De certo modo, é bom que ocorra algo assim em uma era de informação compartilhada, o que significa que tenho certeza de que usaram minhas imagens. Fui eu quem criou os personagens antes do filme. Mas a Fox é uma companhia muito, muito grande. Não posso lutar contra eles".

Lee não colaborou com o diretor de "Avatar", James Cameron, mas contou que trabalhou "com outro cineasta, também para a Fox, na criação de um conceito similar há sete anos". Na época, a tecnologia 3D não estava tão desenvolvida e a ideia foi abandonada. Isso até Cameron retomar o "projeto com uma história diferente, baseada na biodiversidade e no imperialismo, mas com o mesmo conceito de animação", declarou.

"Não sei em que medida eles se inspiraram em meu desenho original, mas certamente não estou muito contente. Muitos me recomendaram denunciá-los, mas nos Estados Unidos não há justiça, tudo se regula pelo dinheiro, pelo dólar", resignou-se Lee.

A Agência Efe entrou em contato com representantes da 20th Century Fox Internacional na China para confirmar a versão do criador, mas a pergunta foi encaminhada para a sede nos Estados Unidos, que até o momento não se manifestou a respeito.

Divulgação
Imagem da coleção "Origins", de 1999, em que Daniel Lee esmiuçou a evolução do peixe até o ser humano
Os críticos de arte classificam Lee mais como um escultor do que como um criador de fotografias, já que seus "manimals" não são uma simples combinação de humanos e animais. Os personagens do artista revelam a natureza animal das pessoas mediante a descoberta da fera em cada um de seus personagens.

Em sua última coleção, "Circus", os "manimals" evoluíram em direção ao grotesco a partir da recriação dos 12 animais do horóscopo chinês: o rato, o boi, o tigre, o coelho, o dragão, a serpente, o cavalo, a cabra, o macaco, o galo, o cachorro e o javali. Já na série "Origins" (1999), Lee esmiuçou a evolução do peixe até o ser humano, passando por seres grotescos que lembram o personagem "Smeagol", da série "O Senhor dos Anéis", e que em sua faceta mais urbana irão povoar o mundo sonâmbulo e tatuado de "Nightlife" (2001) e "Xintiandi" (2006).

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