"Acho que estou exposto demais", afirma Selton Mello

Com três filmes em cartaz, ator fala com o iG sobre "Billi Pig" e adianta detalhes de "Soundtrack", seu próximo trabalho no cinema

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

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Selton Mello: "Até parece que estou trabalhando muito"
Desde outubro, só dá Selton Mello nos cinemas brasileiros. Primeiro foi "O Palhaço" , segundo filme dirigido pelo ator, que se revelou um sucesso de público (1,4 milhão de espectadores) e está até hoje em cartaz em algumas praças.

Há duas semanas, estreou "Reis e Ratos" , aventura de época que fez ao lado de Rodrigo Santoro e Cauã Reymond. Nesta sexta-feira (02), foi a vez de "Billi Pig" , comédia de José Eduardo Belmonte em que atua ao lado de Grazi Massafera .

"Até parece que estou trabalhando muito", disse Selton ao iG . Na verdade, "Reis e Ratos" foi gravado em 2009, "O Palhaço" em 2010 e "Billi Pig", no primeiro semestre do ano passado.

"Acho que estou exposto demais, isso não me agrada", comentou o ator, com relação às estreias em sequência. "Se eu pudesse ter algum controle, 'Reis e Ratos' estrearia em maio. e 'Billi Pig', em outubro, bem espaçados. Mas foi o que aconteceu, são trabalhos honestos, então está tudo bem. Vendo pelo lado bom, um não tem nada a ver com o outro."

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Essas diferenças entre um papel e outro, ele garante, são intencionais, inclusive quando topa um trabalho na televisão . "Sempre procurei essa pluraridade nos meus personagens, desde 'O Auto da Compadecida', em 1998. Procuro fazer algo bem comercial intercalado com coisas mais radicais, como o filme do Bressane ['A Erva do Rato'], o próprio 'Cheiro do Ralo' e 'Árido Movie'."

No caso de "Billi Pig", Selton, exibindo um bigode malandro, interpreta Wanderley, dono de uma seguradora de garagem em Marechal Hermes, subúrbio do Rio. Apático, impotente para satisfazer os desejos da mulher, Marivalda (Grazi Massafera), ele vê num padre milagreiro da região (Milton Gonçalves) a chance a ganhar um bom dinheiro.

Escrito pelo diretor José Eduardo Belmonte e por Ronaldo D'Oxum, o roteiro tenta emular o espírito de vaudevile dos filmes de Carlos Manga e Watson Macedo, por trás de chanchadas geniais como "Aviso as Navegantes", "Matar ou Correr" e "Nem Sansão nem Dalila". Se funciona, a história é outra .

Mas não foi por isso que Selton entrou no projeto: foram as pessoas envolvidas. Amiga de longa data, a produtora Vânia Catani (que havia tirado "O Palhaço" do papel) estava em "Billi Pig", assim como Belmonte, que o ator admira há muito tempo.

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"Grande parte do que digo em 'Billi Pig' saiu da minha cabeça", afirma Selton
Só elogios para "Se Nada Mais Der Certo" (2009), longa anterior de Belmonte, Selton queria há tempos trabalhar com o cineasta, famoso por seus métodos nada ortodoxos no set. Em "Billi Pig", por exemplo, alguns atores comiam pimenta antes de entrar em cena. Ou ficavam girando em torno de si mesmo para mostrar desorientação diante das câmeras.

"Comigo foi um pouco de pingue-pongue, que tem a ver com o improviso", contou Selton. "Se a bolinha cair, significa que você não ficou esperto. Tem que ter ritmo, improviso não é ficar pirando horas num monólogo: um joga, o outro também."

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O ator na pré-estreia de "Billi Pig" no Rio
O improviso é justamente um dos pontos fundamentais para Belmonte. Não raro o roteiro ficava de lado. "O texto não era nada sagrado. Aliás, grande parte do que digo no filme saiu da minha cabeça. É uma liberdade que até assusta, a gente se pergunta: 'será que isso vai dar liga?'", comentou.

"Tem uma fala que até acabou entrando no trailer. Tinha acabado de ler uma biografia do Vittorio Gassman, que é um ator extraordinário, e tem uma fala que é assim: a gente devia ter duas vidas, uma para ensaiar e outra para representar. E isso eu botei no filme, adaptando para 'agir'."

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Sobre o trabalho com Grazi Massafera, que disse "travar de medo" a seu lado , Selton devolveu os elogios. "Adorei trabalhar com a Grazi. Achei ela muito querida, humilde, querendo aprender mesmo, saber como se faz. Isso é nobre, não é qualquer atriz que tem essa disponibilidade. E acho o resultado do trabalho dela maravilhoso. Na verdade, uma das coisas que mais gosto no filme é ela."

Ao longo do ano, Selton analisa a proposta de uma nova série para a rede Globo, mas está ansioso mesmo para gravar "Soundtrack", longa-metragem de estreia da misteriosa dupla 300ml, com quem já fez o curta "Tarantino's Mind", ao lado de Seu Jorge.

Rodado na Patagônia, todo em inglês, o filme se passa numa base de pesquisa similar à que pegou fogo na Antártida recentemente, onde se reúnem profissionais do mundo todo - por isso estão confirmados alguns atores estrangeiros. "É muito bonito o que eles escreveram, não parece com nada que vem sendo feito por aqui. Tem um estranhamento no estilo de Wes Anderson, Spike Jonze."

Selton interpreta um artista plástico brasileiro que trabalha com fotografia. Uma coprodução internacional, "Soundtrack" ainda depende de captação, mas o início das filmagens está previsto para agosto.

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