“A Separação”, aposta do Oscar 2012, comove com roteiro primoroso

Filme iraniano é ovacionado em exibição no Amazonas Film Festival. Leia crítica

Valmir Moratelli, enviado a Manaus (AM) |

Nader é abandonado por sua mulher e contrata uma jovem mulher para cuidar do seu pai, portador do Alzheimer. Mas ele não imaginava que a mulher está grávida e ainda está trabalhando sem a permissão de seu marido. Esta é a sinopse de “A Separação” (Jodaeiye Nader az Simin, título original em iraniano), do mestre Asghar Farhadi.

O drama, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano, arrancou aplausos efusivos durante exibição no Amazonas Film Festival, na noite de sexta-feira (4), no Teatro Amazonas, na praça São Francisco, centro de Manaus.

A trama acompanha a separação de Simin e Nader. Ela quer se mudar com o filho de 11 anos para os Estados Unidos, a fim de dar uma vida melhor para ele, enquanto Nader não admite a hipótese de deixar seu pai. O roteiro e a direção são de Asghar Farhadi (“A Procura de Elly”). E está aí sua grande força.

Sem grandes tomadas ou sequências mirabolantes, o roteiro dá conta do recado. A teia de armações baseadas em intrigas, mentiras e jogos psicológicos segue tendo como base o comportamento de uma sociedade baseada em uma religião onipresente. O filme ainda tem como pano de fundo o ponto de vista ocidental, simplista modo de justiça inserido no contexto da cultura muçulmana.

As atuações niveladas são outro acerto. “A Separação” concorre a uma vaga entre os indicados a filme estrangeiro do Oscar 2012 , assim como "Tropa de Elite 2" . Sem ao menos um tiro, o drama iraniano consegue prender a atenção do início ao fim, mergulhado em sensibilidade.

O Amazonas Film Festival segue até o dia 9 de novembro.

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