A revolução cinematográfica de Toy Story

Como a aventura de um cowboy de brinquedo tornou-se um divisor de águas na História do cinema de animação

Guss de Lucca, iG São Paulo |

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O cowboy Woody: Toy Story transformou um brinquedo antiquado em ícone pop de uma geração digital
Desde 1995, quando lançou o primeiro Toy Story , o estúdio de animações Pixar conseguiu uma série de feitos respeitáveis. O primeiro deles foi lançar um filme que, utilizando tecnologia de ponta, pavimentou a estrada por onde passariam dezenas de animações digitais utilizando uma história estrelada por brinquedos à moda antiga.

Se na década de 90 já era difícil acreditar que a saga de um cowboy de pano e um astronauta de plástico faria sucesso, como explicar o magnetismo que esses personagens exercem em uma geração movida a jogos de videogame, telefones celulares e emoções virtuais possibilitadas pela internet?

A resposta está na experiência da Pixar, que tem em seu currículo produções 100% originais como Procurando Nemo , Wall-E e Up - Altas Aventuras - fato cada vez mais raro num período dominado por remakes, reboots e adaptações. Além disso, todas as suas animações conseguiram dar um passo à frente no quesito qualidade, conquistando sucesso tanto de público como da crítica.

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Um dos trunfos do filme é conversar com adultos e crianças utilizando uma linguagem comum: os brinquedos
Toy Story foi a pedra fundamental dessa jornada, o filme que ditou aos demais a fórmula do sucesso, que além de um visual impecável precisava oferecer às plateias uma história que despertasse interesse em "crianças de todas as idades". Se antes os pais enfrentavam um martírio ao levar seus filhos ao cinema, finalmente eles podiam respirar aliviados e deixar-se emocionar com um desenho que conversava ao mesmo tempo com todos os espectadores.

No caso específico da aventura do cowboy Woody e sua turma, o tema abordado é de conhecimento comum, afinal, todos já fomos crianças algum dia e utilizamos a imaginação para nos divertir com brinquedos, fosse um pião de madeira, um boneco de plástico ou um avatar de universo virtual. E se parecia impossível dar um final digno a saga de Toy Story , foi no desafio enfrentado pelos personagens que a Pixar acertou em cheio seu terceiro roteiro.

Enquanto os inimigos dos primeiros filmes eram fáceis de derrotar - o menino que praticava maldades com seus bonecos no primeiro longa-metragem e o colecionador que vê apenas o valor comercial dos brinquedos no segundo -, o antagonista da terceira e provável última aventura é muito mais desafiador: o tempo.

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Em sua terceira parte, Toy Story aborda o tempo ao mostrar Andy tendo que se despedir de seus brinquedos
Logo no início do filme o espectador descobre que o garoto Andy, que na animação de 1995 tinha seis anos, já completou dezoito e está a caminho da universidade, momento em que precisa decidir que fim dará aos seus brinquedos.

Essa angústia da inevitável despedida e de um sentimento obsoleto dialoga diretamente com o público maduro, que já vivenciou emoções semelhantes em diversos áreas de suas vidas, e também com o mais novo, que faz parte de uma geração cujos bens e modismos tornam-se ultrapassados muito rapidamente.

O tempo pode ser um inimigo desafiador para os brinquedos de Toy Story 3 , mas é sem dúvida o maior aliado da Pixar, que parece não se propor simplesmente a fazer filmes, mas sim obras de arte que só fazem sentido se dispostas diante de um enorme desafio. Quem duvidava da força da história deste terceiro filme pode se preparar para tomar um susto - dos mais agradáveis - e despedir-se de personagens que merecem.

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