A Princesa e o Sapo é aposta da Disney em antigo formato

Animação retoma estrutura clássica do estúdio e carrega nos ombros um peso extraordinário

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Divulgação
A Princesa e o Sapo introduz o jazz e outras referências culturais da cidade de Nova Orleans
Na contramão das animações em 3D, a Disney retoma sua estrutura clássica e lança um desenho em formato tradicional. Antes mesmo de sua estreia no Brasil, que acontece nesta sexta-feira (11), o longa-metragem de animação A Princesa e o Sapo já é detentor de uma série de méritos e carrega nos ombros um peso extraordinário.

Primeira animação da Disney que retoma o formato 2D, abandonado publicamente pelo estúdio em 2004, o filme introduz a personagem Tiana, primeira negra a integrar o grupo de princesas da casa - coincidentemente no ano em que o presidente norte-americano é negro.

O filme também apresenta ao público o príncipe Naveen, que ao contrário de seus antecessores, não possui muito apreço pelo estilo de vida dos nobres, preferindo divertir-se em meio aos músicos de jazz da cidade de Nova Orleans, onde toda a ação acontece. 

Além do jazz, o longa-metragem utiliza outras referências culturais da cidade, como o feiticeiro de vodu, o colorido das ruas e os pântanos que cercam Nova Orleans, com suas serpentes, crocodilos e vaga-lumes.

Apesar de ser vendido como um conto de fadas às avessas, afinal, ao beijar o sapo que alega ser um príncipe é a mocinha quem acaba sendo transformada, A Princesa e o Sapo segue à risca o estilo clássico da Disney de contar uma história - uma aposta arriscada diante de um cenário onde as já segmentadas animações digitais rumam para o formato em 3D.

Se bem sucedido na bilheteria, o filme pode atrair a atenção de estúdios concorrentes, como a DreamWorks e a 20th Century Fox, e quem sabe significar uma injeção de ânimo num formato praticamente ignorado nesta década.

WireImage
O ator brasileiro Bruno Campos (príncipe Naveen) e a atriz Anika Noni Rose (Tiana)
Resta saber se o público infantil, acostumado a roteiros recheados de referências pop como os das séries Shrek e A Era do Gelo , vai se deixar seduzir por um conto de fadas - mais ou menos - tradicional.

Príncipe brasileiro?

Para os brasileiros vale ainda uma curiosidade: tanto a cópia legendada quanto a dublada contam com atores brasileiros fazendo a voz de Naveen, o príncipe que acaba tornando-se interesse romântico de Tiana.

Enquanto a versão em português traz o ator paulistano Rodrigo Lombardi, a original em inglês conta com o carioca Bruno Campos, conhecido por seus trabalhos no filme O Quatrilho e na série Nip/Tuck .

A retomada de um estilo

Quando resolveu produzir em 1937 o primeiro filme longa-metragem de animação sonora da História, Walt Disney reuniu sua equipe de artistas e apresentou o storyboard de Branca de Neve e os Sete Anões , interpretando todos os papéis e canções daquele que seria o precursor do estilo Disney de animação.

Por estilo Disney entende-se uma animação em formato tradicional - desenhada com lápis e papel - que narra o conflito entre forças do bem e do mal, sempre cercados de personagens secundárias cômicas que, assim como seus protagonistas, soltam a voz e cantam durante o desenrolar da trama.

Por mais de 60 anos esse formato funcionou bem, encantando gerações com filmes como A Dama e o Vagabundo , A Bela Adormecida , 101 Dálmatas , Dumbo , A Pequena Sereia , A Bela e a Fera , Alladin e O Rei Leão .

O desgaste teve início nesta década, com os fracassos de produções como Planeta do Tesouro e Nem que a Vaca Tussa . Por causa disso e dos sucessos dos longas produzidos em formato digital, como Monstros S.A. e Procurando Nemo , o departamento de animação da empresa abandonou o formato de duas dimensões em 2004.

A decisão de retomar o estilo clássico foi tomada quando o cineasta John Lasseter, peça fundamental da Pixar Animation Studios, assumiu a direção criativa da Disney em 2006.

Responsável pelos sucessos Toy Story e Carros , ambos no formato digital, Lasseter contrariou as expectativas e resolveu apostar num retorno às origens, demonstrando respeito pelas produções que formaram a atual geração de profissionais que trabalha na indústria da animação - e da qual o próprio Lasseter faz parte.

Assista a uma featurette de A Princesa e o Sapo :

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