A paixão do cinema pelo boxe

A 'nobre arte' é o esporte que melhor se adapta à telona

Ricardo Calil, colunista do iG |

Divulgação
Cena do filme "Ali", dirigido por Michael Mann
Muitas pessoas se perguntam por que quase não há bons filmes sobre futebol - em geral, sem chegar a nenhuma conclusão. Aí vai outra pergunta interessante, mas raramente formulada: por que há tantos bons filmes sobre boxe?

Não há dúvida de que “a nobre arte”, como é conhecido o boxe, é o esporte que melhor se adapta ao cinema. Estão aí para provar obras-primas como “Touro Indomável”, “Quando Éramos Reis” e “Punhos de Campeão”. E um punhado de grandes filmes, como “Menina de Ouro”, “Ali”, o primeiro “Rocky” e assim por diante. Mesmo filmes menores - como “O Vencedor”, que estréia hoje no Brasil, “O Campeão” ou “Hurricane - O Furacão” - conseguem emocionar nas cenas de luta.

Mas o que explica esse fenômeno? A resposta passa inevitavelmente pela especulação. Então especulemos. Para mim, tudo começa por uma simples questão de proporção. O boxe é um esporte com um palco pequeno e apenas dois atores principais. É relativamente fácil encenar uma luta num ringue, coreografar o balé dos lutadores, reproduzir o universo real de forma crível e assimilável para o espaço da ficção. Ainda mais se compararmos com um esporte como futebol, com seu palco imenso e 22 atores em cena.

Depois, existe a questão do que está em jogo. Na maioria dos esportes, é a vitória. No boxe (e, claro, em alguns outros), há algo mais: o corpo, a saúde, a vida do competidor também entram em questão. Essa idéia do risco, do suplício físico, do corpo flagelado (incluindo aí o fetiche do sangue espirrado para a câmera) torna a experiência mais dramática, para não dizer mais religiosa.

Além disso, o boxe é um esporte perfeito para um dos gêneros mais prezados por Hollywood: o drama de superação pessoal. Não há metáfora visual mais adequada para esse conceito do que a do homem que cai, se levanta e vence a luta. É tão banal que até Sylverster Stallone entendeu. A cena está lá em quase todos os filmes de boxe (embora, no esporte real, a vitória do homem derrubado não seja tão simples assim). É como se uma luta pudesse conter, ou talvez resumir, todo o arco narrativo de um grande drama. Com o perdão do clichê, o boxe cai com uma luva no cinema.

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