A Hora do Pesadelo traz Freddy frustrante

Reinício da série não mantém apelo do original e se perde na nova geração do terror hollywoodiano

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

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O novo A Hora do Pesadelo: pouco Freddy, nada de humor e mais "suspense"
Não há muito o que falar sobre remakes ou franquias cinematográficas. Quando algo dá certo e faz dinheiro, é normal: moedinhas caindo são o combustível da indústria, em Hollywood ou qualquer lugar. Por isso, não há nenhuma surpresa no reinício da série A Hora do Pesadelo , que entra em cartaz nesta sexta-feira (07) em todo o país. O problema é mexer em um personagem tão querido para os fãs de terror quanto Freddy Krueger, o maníaco do pulôver vermelho e luva afiada. Apesar de parecer promissora, a estreia em longa-metragem do diretor de clipes Samuel Bayer decepciona e deve desagradar tanto conhecedores quanto as novas gerações.

A Hora do Pesadelo segue mais ou menos a história do filme original, criado por Wes Craven em 1984, inclusive com cenas refilmadas do mesmo ângulo. Jovens começam a sonhar com uma misteriosa figura de rosto deformado e são assassinadas enquanto dormem. É o que volta e meia aparece em roteiros por aí: se você morre no mundo dos sonhos, o mesmo acontece na vida real. Ao contrário do que era de se esperar, a rua Elm, palco onde tudo acontecia na matriz, tem pouca importância na nova versão e os atores-adultos-que-interpretam-adolescentes tentam descobrir por que diabos são perseguidos pelo vilão e, com isso, escapar de uma morte sangrenta. Vira um misto de investigação, suspense e corrida contra o tempo: até quando eles podem aguentar sem dormir?

Inicialmente, tinha-se a impressão de que Bayer – premiado por dezenas de vídeos, entre eles "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana – e o roteirista Wesley Strick ( Aracnofobia , Cabo do Medo ) iam optar por uma abordagem mais realista de Freddy, a julgar pela bela maquiagem do vilão, com o rosto queimado, pela direção de arte inspirada e pela escalação do ótimo Jackie Earle Haley ( Pecados Íntimos ) no papel que era de Robert Englund. A ideia, porém, se perde em minutos e aí caímos na vala comum do terror do século 21, o mata-mata sem grandes ambições. E pior: exclui o que a série tinha de melhor.

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Freddy passou por aqui: as marcas da luva
Não se trata da origem do personagem, que, sim, foi modificada. O que fez a fama de Freddy Krueger nas últimas três décadas, além do requinte óbvio das mortes, foi o sarcasmo, o estilo zombeteiro, o humor de um assassino que brinca com as memórias escondidas no inconsciente de suas vítimas. Freddy usava óculos escuros, se vestia de médico, tinha até um ursinho de pelúcia macabro para tirar um sarro antes de cair matando em cima dos pobres estudantes. Englund, justiça seja feita, era responsável por boa parte desse carisma, só que fazer pouco caso da personalidade forte de um ícone construído ao longo de oito filmes anteriores não parece algo lá muito inteligente. Haley faz participação discreta, misteriosa: se limita a bancar o "bad guy" e dar um susto ou outro, sempre com o rosto nas sombras. Nem é culpa dele.

Portanto, não vá esperando grande coisa. A Hora do Pesadelo promete mais, pelo passado de Freddy e pelo marketing, do que cumpre. Não que os últimos filmes da série sejam bons, longe disso (vide o infame Freddy vs. Jason ), mas a sensação de déjà vu (e não é por saber de cara o final) é ainda pior do que a decepção com a história. Nada é por acaso: os produtores Bradley Fuller e Andrew Form também estão por trás de outras refilmagens famosas do gênero, como Sexta-Feira 13 , O Massacre da Serra Elétrica e Horror em Amityville . E você já sabe: uma sequência para o filme já está engatilhada. Que medo.

Assista ao trailer de A Hora do Pesadelo :

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