A beleza e a classe de Catherine Deneuve

De símbolo sexual a rosto da França, a atriz de "Potiche" encarnou a tentação em todos os seus níveis; veja fotos de sua carreira

Ricardo Calil, colunista do iG |

Entre todos os grandes símbolos sexuais da história do cinema, a francesa Catherine Deneuve tem o estilo mais peculiar: em vez de oferecer a promessa de sexo, ela ficou famosa por negá-la.

Deneuve ficou irremediavelmente marcada por dois filmes do início de sua carreira: “Repulsa ao Sexo” (1965), de Roman Polanski, que, como o título indica, trata de uma garota que recusa, de forma patológica, qualquer tipo de intimidade; e “A Bela da Tarde” (1967), de Luis Buñuel, em que interpreta uma mulher que, insatisfeita sexualmente com o marido, realiza suas fantasias, ainda que de forma mecânica, trabalhando em um bordel. Esses dois filmes acabaram por borrar a lembrança da mocinha romântica do musical “Os Guarda-Chuvas do Amor” (1964), de Jacques Demy, seu primeiro grande sucesso.

Assim como Brigitte Bardot e Jane Fonda, Deneuve também foi descoberta pelo cineasta Roger Vadim. Mas os estilos das três não poderiam ser mais diferentes. Se Fonda (“Barbarella”) era a heroína cheia de saúde e Bardot (“E Deus Criou a Mulher”) um milagre da natureza, Deneuve era a bela fria, inacessível, um pouco neurótica – e mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, absolutamente tentadora.

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Depois da explosão com “A Bela da Tarde”, Deneuve começa a polir sua imagem em filmes como “A Sereia do Mississipi” (1969), “Tristana” (1970), “Pele de Asno” (1970) e “O Último Metrô” (1981). Sua beleza clássica, irretocável, aos poucos deixa de ser sinônimo de frieza, de distância, e passa a ser símbolo de classe, de elegância. Ela vira, literalmente, o rosto da França, substituindo a coquete Bardot como a efígie de Marianne – a figura feminina da república francesa, estampada em selos e moedas. Vira também a garota-propaganda da moda de seu país, associada a Yves Saint Laurent e ao perfume Chanel nº 5.

Mas, de tempos em tempos, Deneuve conseguiu quebrar o gesso dessa imagem oficial, de embaixadora estética da França. Em “Fome de Viver” (1983), de Tony Scott, ela provou – ao lado de Susan Sarandon e David Bowie – que poderia ser quente, muito quente, nem que para isso precisasse se transformar em vampira gótica e bissexual.

Em “Dançando no Escuro” (2000), ela se permitiu ser feia, servir de escada para a estreante Björk e se submeter às maluquices de Lars Von Trier. E em “Potiche - Esposa Troféu” , que estreia nesta sexta-feira no Brasil, ela começa o filme interpretando uma dona de casa submissa e desleixada – desconstruindo a pose altiva e glamorosa que ela erigiu cuidadosamente ao longo dos anos.

Na recente passagem pelo Brasil , foi possível ver que, apesar da passagem do tempo e da companhia inseparável do cigarro, a beleza clássica de Deneuve continua preservada, aos 67 anos. Ao contrário do que ocorreu, por exemplo, com Brigitte Bardot. Representar mulheres frias como o gelo – e não quentes como o fogo, que se consomem rapidamente – deve ser bom para a pele.

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