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A arte de enganar o espectador no cinema

A Origem não é o único a misturar imaginação e realidade; veja outros dez filmes que iludem o espectador

Augusto Gomes, iG São Paulo |

O filme A Origem , novo trabalho do diretor Christopher Nolan (o mesmo de Batman Begins e o Cavaleiro das Trevas ), é um mar de referências cinematográficas. A história do grupo comandado por Leonardo DiCaprio que entra nos sonhos de outras pessoas para descobrir segredos ou implantar ideias lembra em muitos momentos a saga Matrix , pela forma em que o mundo virtual dos sonhos funciona. A forma como os personagens se relacionam (é, afinal, uma gangue que pretende aplicar um golpe) é calcada no modelo de filmes de roubo como Onze Homens e um Segredo e Uma Saída de Mestre . O embaralhamento das fronteiras entre sonho e realidade lembra os delírios de David Lynch, como Cidade dos Sonhos .

A certa altura do longa, o espectador já não sabe o que é real e o que não é. Escrever mais sobre isso seria revelar segredos da trama, e o objetivo aqui não é estragar nenhuma surpresa. Mas é possível adiantar que A Origem já pode entrar na lista de filmes que, ao colocar seus personagens num terreno em que não se sabe o que é real e o que não é, também "engana" o espectador. Na história do cinema, várias produções já fizeram o mesmo. Abaixo, está uma relação de dez delas. Mas fica o aviso: se você não assistiu a alguma delas e não quer saber o que acontece, pare de ler agora. O texto está cheio de spoilers .

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Matrix (1999) e A Ilha do Medo (2010)
Matrix (The Matrix, EUA, 1999), de Andy e Larry Wachowsky
É a maior influência de A Origem. O espectador é enganado somente no início do filme, quando pensa que o mundo em que Keanu Reeves vive é real. Depois, é revelado que a humanidade foi colocada para dormir por máquinas que se alimentam da energia dos seres humanos, e toda a realidade não passa de um sonho.

Ilha do Medo (Shutter Island, EUA, 2010), de Martin Scorsese
Assim como A Origem, é estrelado por Leonardo DiCaprio. No começo, acreditamos que ele é um detetive investigando um desaparecimento num hospital psiquiátrico. Mas, no final, descobrimos que ele é um interno do hospital que, por não conseguir encarar um crime que cometeu, mistura delírio e realidade.

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Cidade dos Sonhos (2001) e Clube da Luta (1999)
Cidade dos Sonhos (Mullholand Drive, 2001), de David Lynch
David Lynch é um mestre em transformar pesadelos em filme (além de Cidade dos Sonhos, Estrada Perdida e Império dos Sonhos também são pesadelos filmados). Aqui, como num sonho, nada é real. Mas, também como num sonho, os acontecimentos aparentemente sem sentido revelam o que realmente aconteceu.

Clube da Luta (Fight Club, EUA, 1999), de David Fincher
Além de Matrix e O Sexto Sentido, 1999 teve outro grande sucesso que enganava o espectador: Clube da Luta. Só no final do filme descobrimos que o personagem de Brad Pitt só existe na imaginação de Edward Norton, e que todas as ideias que ele lhe dava (inclusive lutar) eram apenas projeções de seu inconsciente.

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O Gabinete do Dr Caligari (1920) e Depois Daquele Beijo (1966)
O Gabinete do Dr Caligari (Das Kabinett der Dr Caligari, Alemanha, 1920), de Robert Wiene
Este filme mudo é um dos primeiros exemplos de mistura de sonho e realidade no cinema, e impressiona mesmo 90 anos depois de lançado. A princípio, acreditamos que Caligari é o vilão que hipnotiza seu servo e o obriga a cometer crimes. No final, descobrimos que tudo é o delírio de um louco - Caligari na realidade é o diretor do hospício.

Depois Daquele Beijo (Blow Up, Inglaterra, 1966), de Michelangelo Antonioni
Na Londres dos anos 1960, um fotógrafo de moda acredita ter testemunhado um assassinato e se apaixona por uma mulher envolvida com o crime. No final, quando vê um grupo de mímicos fingindo jogar tênis e ouve o som do bater da bola que não existe, ele percebe que nada daquilo aconteceu - era tudo criação de sua imaginação.

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O Sexto Sentido (1999) e Coração Satânico (1987)
O Sexto Sentido (The Sixth Sense, EUA, 1999), de M. Night Shyamalan
Haley Joel Osment é o menino que vê pessoas mortas. Bruce Willis é o psicólogo que tenta ajudá-lo. O que nem Willis nem o espectador sabem (pelo menos até a última cena do filme) é que o personagem também é um fantasma, e não se deu conta disso. O diretor Shyamalan voltou a usar o truque de enganar o espectador, com menos sucesso, em A Vila.

Coração Satânico (Angel Heart, EUA, 1987), de Alan Parker
Neste suspense sobrenatural dos anos 1980, Mickey Rourke é um detetive contratado para encontrar um músico desaparecido chamado Johnny Favorite. No final do filme, ele descobre que Favorite é ele mesmo (anos antes, ele havia perdido a memória) e que o homem que o contratou é o Diabo em pessoa, em busca de sua alma. 

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Os Suspeitos (1995) e Identidade (2003)

Os Suspeitos (The Usual Suspects, EUA, 1995), de Bryan Singer
O único sobrevivente de um assalto frustado é interrogado por um policial. O filme então acompanha sua versão dos fatos. O problema é que é tudo mentira, uma história inventada pelo personagem de Kevin Spacey para poder escapar sem que ninguém (nem o espectador) descubra que ele é o lendário criminoso Keyser Söze.

Identidade (Identity, EUA, 2003), de James Mangold
Um grupo de pessoas fica preso num hotel durante uma tempestade. Um a um, eles começam a ser assassinados. A certa altura da trama, descobrimos que toda a história se passa na cabeça de um assassino com múltiplas personalidades e que o sobrevivente será aquele que dominará a mente do criminoso.

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