Robson Nunes e Babu Santana se dividem no papel do cantor em longa dirigido por Mauro Lima

Depois de fazer sucesso nas livrarias e no teatro, Tim Maia chega aos cinemas nesta quinta-feira (30) como um dos projetos mais importantes da produtora RT Features, de Rodrigo Teixeira . Dada a popularidade do personagem e das cinebiografias musicais no Brasil, a expectativa é que o filme do diretor Mauro Lima alcance boa bilheteria.

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Baseado no livro "Vale Tudo", de Nelson Motta, "Tim Maia" segue formato bastante convencional. Com auxílio de narração em off, acompanha o cantor desde a infância até a morte e traça um arco narrativo simples: da ascensão à queda.

Elementos típicos de cinebiografias musicais estão presentes: a juventude pobre, a luta por uma chance de mostrar o talento; a chegada ao sucesso; a decadência marcada por drogas, álcool e problemas familiares; e uma ou outra volta por cima até o fim da vida - Tim Maia morreu em 1998, após sofrer paradas cardiorrespiratórias.

Também autor do roteiro, Lima dá alguns saltos grandes - da infância para a juventude, do sucesso para a decadência -, mas não opta por nenhum recorte ou fase específica. Em 140 minutos, fala de muita coisa: a infância no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro; o primeiro grupo, com Roberto e Erasmo Carlos, e a frustração quando os dois estouraram antes dele; a temporada nos Estados Unidos, na qual foi preso por roubo de carro e posse de drogas; o gradual aumento do peso e a piora das condições de saúde; além de uma série de episódios marcados pela personalidade intempestiva do cantor.

Imagem do filme 'Tim Maia'
Divulgação
Imagem do filme 'Tim Maia'

Um dos pontos-chave de uma cinebiografia é a escolha do protagonista, que deve ter alguma semelhança com o personagem real, mas não ficar na mera imitação.

Se Lima já tinha a difícil tarefa de encontrar um Tim Maia, ousou ao escolher dois: Robson Nunes, na fase jovem, e Babu Santana, depois do sucesso (Thiago Abravanel, que fez sucesso como Tim Maia no teatro, não passou no teste para o filme).

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Nunes e Santana têm carisma e conseguem se "apagar" na caracterização do personagem, bem como fazer com que a transição de uma fase para a outra aconteça de forma natural.

Mas nenhum entrega o tipo de atuação marcante que consegue carregar um filme mediano, como fez Thiago Mendonça em "Somos Tão Jovens" , para citar uma cinebiografia nacional recente.

Parte do impacto da atuação de Mendonça como Renato Russo vinha do fato de ele cantar e tocar ao vivo em todas as cenas - algo que, segundo Lima, Nunes e Santana também fazem em algumas sequências de "Tim Maia"; em outras são usadas gravações e até uma combinação das vozes dos atores e da do cantor.

Veja o trailer de "Tim Maia":

Em geral, porém, as cenas musicais carecem de energia e autenticidade. Chama a atenção, aliás, o quão pouca música há no filme, sobretudo na primeira parte. No momento em que o cantor busca uma chance, ouvimos vários personagens e o próprio Tim falar sobre seu talento, e sobre como a cor, a condição financeira e o fato de fugir ao estereótipo de beleza o deixaram injustamente para trás no cenário musical.

Mas nós mesmos não testemunhamos esse talento, já que o jovem Tim Maia aparece mais entrando em confusão do que tocando e cantando. Isto se mostra um problema também na segunda parte, quando o músico se afunda nas drogas: se o filme não apresentou a genialidade do cantor, não temos a dimensão do que está em jogo.

Lima disse ter se interessado mais em mostrar o Tim Maia fora das câmeras, provavelmente partindo do pressuposto de que o público já está devidamente familiarizado com a música. Mas o filme perde ao focar tanto no Tim Maia fora dos palcos, ao dar muito mais ênfase, por exemplo, à doutrina conhecida como Cultura Racional, à qual o cantor aderiu, do que à importância do disco lançado nessa fase, possivelmente sua obra-prima.

Quando o filme acaba, pouco antes dos créditos, há uma breve cena em que Nunes senta em um sofá, pega o violão e toca "Você" diante de Roberto Carlos (interpretado por George Sauma). É uma sequência simples, mas bonita e com emoção real, que mostra o que "Tim Maia" poderia ter sido, mas não foi.

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