Em vídeo, ator e o diretor inglês Stephen Daldry falam sobre influência dos protestos de 2013 no filme "Trash - A Esperança Vem do Lixo", rodado no Rio de Janeiro

Quando manifestações tomaram as ruas do Brasil em 2013, o diretor inglês Stephen Daldry ("As Horas") estava no Rio de Janeiro filmando "Trash - A Esperança Vem do Lixo" . Em cartaz nos cinemas, o longa com Selton Mello e Wagner Moura faz referência aos protestos e retrata com otimismo a busca por mudança no país.

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"O que me impressionou nas manifestações foi a esperança nas ruas. As pessoas queriam mudança, e de um jeito rápido e radical", diz Daldry, que chegou a correr da polícia em um protesto no Rio. "Achei que foi uma grande celebração do sentimento positivo de precisar e querer mudança no Brasil. Para mim, foi muito tocante."

Veja a entrevista do iG com Stephen Daldry e Wagner Moura:

Daldry concedeu entrevista ao iG na terça-feira (7), ao lado de Moura, que lamentou o fato de a vontade por mudança não ter sido mais notada nas urnas no último domingo (5). "Senti falta das manifestações nas eleições. Não da manifestação em si, na rua, mas na maneira com que as pessoas votaram", diz o ator, que apoiou a criação do partido Rede, de Marina Silva, mas criticou a união inicial da candidata a Eduardo Campos (PSB).

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"Foi uma eleição um pouco pobre em opções, de maneira geral e para governador do Rio especificamente. Mas acho que mais uma vez uma eleição que termina com PT e PSDB no segundo turno não dá impressão de que alguma coisa está mudando."

"Trash" conta a história de três jovens pobres que encontram uma carteira em um lixão. Moura interpreta José Angelo, o dono do objeto e responsável por pistas que levarão os meninos a descobrir um escândalo de corrupção política.

O filme é uma coprodução entre Reino Unido e Brasil, que Daldry disse ter escolhido como locação pela estrutura da indústria cinematográfica e pela experiência do diretor Fernando Meirelles com atores profissionais. Como em "Cidade de Deus", o inglês queria que "Trash" tivesse protagonistas que vivessem em comunidades cariocas, em busca de autenticidade.

Segundo ele, a experiência de filmar no Brasil foi positiva. "Fui abençoado com alguns dos melhores atores do mundo, uma equipe fantástica e uma cidade que achei muito boa para filmar", afirma. "As pessoas estavam preocupadas quanto a irmos a algumas comunidades, mas achei as comunidades fantásticas. Nos apoiaram, nos ajudaram e estavam muito envolvidas na ideia de fazer o filme."

Moura, por sua vez, foi só elogios ao diretor, que chamou de "extraordinário" e "artista". "Trabalhar com ele foi um momento na minha histõria como ator. É um artista, um cara que nunca te leva para o lado óbvio."

Questionado sobre sua opinião sobre o modelo de financiamento do cinema brasileiro, muito calcado em editais do governo e investimentos de empresa atraídas por isenção fiscal, Daldry respondeu. "Não sei se posso falar muito, mas se [esse modelo] permite que mais filmes sejam feitos, é uma coisa boa"

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