"O Homem Mais Procurado" tem última grande atuação de Philip Seymour Hoffman

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Morto em fevereiro, ator brilha em inteligente thriller de espionagem dirigido por Anton Corbijn

A obra do escritor inglês John le Carré já rendeu bons suspenses como "O Espião que Veio do Frio", "O Jardineiro Fiel" e "O Espião que Sabia Demais". O mais novo título desta lista é "O Homem Mais Procurado", ótimo thriller dirigido por Anton Corbijn que serve de palco para a última grande atuação de Philip Seymour Hoffman.

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Morto em fevereiro, vítima de uma overdose acidental, Hoffman usa um forte sotaque alemão para interpretar Günter Bachmann, experiente funcionário do serviço de inteligência da Alemanha. A trama se passa em Hamburgo, cidade portuária na qual viveram Mohamed Atta e outros terroristas envolvidos nos ataques de 11 de Setembro.

Imagem do filme 'O Homem Mais Procurado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Homem Mais Procurado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Homem Mais Procurado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Homem Mais Procurado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Homem Mais Procurado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Homem Mais Procurado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Homem Mais Procurado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Homem Mais Procurado'. Foto: Divulgação

É no cenário pós-2001 que o filme se desenvolve. Dispostos a não repetir os erros que permitiram a ação de Atta, os serviços de inteligência de Alemanha e Estados Unidos monitoram cuidadosamente qualquer suspeita de atividade terrorista.

É o caso de Issa Karpov (Grigoriy Dobrygin), muçulmano, filho de militar russo e mãe chechena, que diz buscar refúgio em Hamburgo após ser torturado na Rússia. Com a ajuda da advogada Annabel Richter (Rachel McAdams), Karpov tenta reaver milhões de euros que seu pai deixou, anos antes, no banco do milionário Tommy Brue (Willem Dafoe, excelente).

Repleta de críticas à política internacional pós-11 de Setembro (como é comum na obra de Le Carré), a trama se contrói na ambígua e misteriosa de Karpov, que pode ser um perigoso terrorista ou um refugiado inocente. As autoridades americanas e alemãs querem prendê-lo imediatamente; mas Bachmann quer mais tempo para acompanhar o alvo de sua investigação e entender se ele pode levá-lo a "peixes maiores".

Divulgação
Imagem do filme 'O Homem Mais Procurado'

Embora atual nas reflexões que propõe sobre luta contra o terrorismo, medo e paranoia, "O Homem Mais Procurado" também parece um filme dos tempos da Guerra Fria, no qual a investigação central é menos focada em grandes inovações tecnológicas e mais no feeling de Bachmann e na espionagem conduzida pelos agentes que ele espalha pela cidade.

Diretor talentoso, Corbjin mostra o mesmo rigor visual de seus filmes anteriores, "Control" e "Um Homem Misterioso". Mas o preto e branco da cinebiografia de Ian Curtis e as belas paisagens italianas do longa estrelado por George Clooney dão lugar a um espaço mais sombrio: a Hamburgo de "O Homem Mais Procurado" é um lugar frio, de prédios pichados, bares decadentes e ambiente pouco coloridos ou iluminados, salvo o amarelo das árvores de um parque ou da lâmpada de uma sala de reunião.

Ao claustrofóbico visual soma-se a melancólica presença de Seymour Hoffman, que em seu último papel como protagonista aparece em grande atuação, dando vida a um Bachmann fora de forma, ofegante, que fuma e bebe, quase sempre sozinho. É um lembrete doloroso sobre a condição em que o ator se encontrava nos meses antes de sua morte, e, principalmente, do imenso talento que o cinema perdeu.

Veja o trailer de "O Homem Mais Procurado":


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