Com elenco internacional, "Trash" mostra fábula e violência nas ruas do Rio

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Dirigido pelo britânico Stephen Daldry, filme tem jovens de comunidades cariocas contracenando com Selton Mello, Wagner Moura, Rooney Mara e Martin Sheen

Conhecido por filmes como "Billy Elliot", "As Horas" e "O Leitor", o diretor britânico Stephen Daldry dá um passo diferente na carreira com "Trash - A Esperança Vem do Lixo", uma coprodução entre Reino Unido e Brasil que estreia nesta quinta-feira (9).

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Salvo o fato de a história ser protagonizada por jovens - como "Billy Elliot" e "Tão Forte e Tão Perto", outro longa de Daldry -, há poucas semelhanças entre os trabalhos anteriores do diretor e o mais recente, rodado no Rio de Janeiro, falado majoritariamente em português, com funk na trilha sonora e "cara" de filme brasileiro.

Imagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Trash'. Foto: Divulgação

"Trash" é uma adaptação feita pelo roteirista Richard Curtis ("Quatro Casamentos e Um Funeral" e "Simplesmente Amor") do romance do britânico Andy Mulligan, originalmente ambientado em um país fictício.

Como possíveis locações para o filme, o autor sugeriu Índia, Filipinas e Brasil, escolhido, segundo a produção, pela estrutura da indústria cinematográfica e a experiência do diretor Fernando Meirelles no trabalho com atores não profissionais, algo que Daldry julgava fundamental para dar autenticidade à história.

Mais: Jovens de comunidades cariocas contracenam com astros em "Trash"

Firmou-se, então, a parceria entre a produtora britânica Working Title e a brasileira 02, da qual Meirelles é um dos sócios. Os três protagonistas - Rickson Tevez, Eduardo Luis e Gabriel Weinstein - foram selecionados após testes em comunidades cariocas, e no filme interpretam jovens que moram em trabalham em um lixão e um dia encontram uma carteira.

Veja o trailer de "Trash - A Esperança Vem do Lixo":

O esforço da polícia liderada pelo investigador Frederico (Selton Mello) para encontrar a carteira faz os meninos suspeitarem de que ela é mais valiosa do que parece. Ao seguir as pistas deixadas pelo dono do objeto, José Angelo (Wagner Moura), eles descobrem e se envolvem em um escândalo político que coloca suas vidas em risco.

Daldry usa câmera na mão, edição rápida e a desenvoltura dos jovens protagonistas para conseguir a mesma energia das ruas que marcou "Cidade de Deus". "Trash" também aborda temas como a desigualdade social e a violência - sobretudo policial - no Rio de Janeiro, mas tem menos cenas fortes do que o filme de Meirelles. Em certo sentido, se assemelha mais a "Quem Quer Ser um Milionário", de Danny Boyle, com a caça ao tesouro (ou a busca pelo segredo da carteira) no lugar do concurso de perguntas na TV.

Daniel Behr
Stephen Daldry, Rooney Mara e Martin Sheen no set de 'Trash'

Em geral, "Trash" funciona melhor como aventura juvenil do que quando se presta a comentários políticos. Parecem forçadas e sem contexto, por exemplo, as referências aos protestos de 2013 e a pincelada sobre desvios de dinheiro em eventos esportivos.

Daldry se esforça para fazer um retrato fiel da realidade brasileira, mas lida com personagens unidimensionais: Moura é o idealista que combate a corrupção; Mello é o policial cruel; Stepan Nercessian tem uma ponta como político sem escrúpulos; e os norte-americanos Martin Sheen e Rooney Mara são estrangeiros compreensivos que ajudam a comunidade pobre. Todos são talentosos, mas já tiveram papéis melhores.

A crítica social perde força, também, por causa do tom excessivamente otimista do filme, que retrata o Brasil como um país que acordou para a mudança e o combate à corrupção. Como a realidade nunca é tão simples, "Trash" acaba ficando só na fábula.

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