"Somos fascinados por coisas que assustam", diz diretor de "No Olho do Tornado"

Por Luísa Pécora , enviada especial a Los Angeles | - Atualizada às

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Filme usa tecnologia para mostrar desastre natural; diretor e elenco falam ao iG sobre a experiência de rodar o longa

Meio "Twister", meio "Atividade Paranormal". A combinação de dois gêneros que costumam fazer sucesso em Hollywood é a principal aposta de "No Olho do Tornado", longa do diretor Steven Quale em cartaz no Brasil.

De um lado há o "filme de desastre", no qual a própria natureza assume o lugar de antagonista. De outro, há o estilo conhecido como "found footage", no qual parte da narrativa se dá por gravações feitas pelos próprios personagens, como num filme dentro do filme.

Crítica: Efeitos especiais salvam "No Olho do Tornado"

Imagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'No Olho do Tornado'. Foto: Divulgação

Era essa a ideia básica do produtor Todd Garner quando começou a desenvolver "No Olho do Tornado", ambientado na fictícia cidade de Silverton, no meio-oeste norte-americano.

A história acompanha diferentes grupos de personagens em meio a uma série de tornados gigantes: um pai solteiro (Richard Armitage, de "O Hobbit") e os filhos adolescentes (Max Deacon e Nathan Kress), caçadores de tornado liderados por um cineasta (Matt Walsh) e uma meteorologista (Sarah Waynbe Callies, de "Walking Dead"), dois bêbados que sonham em ser celebridades do YouTube (Kyle Davis e Jon Reep), entre outros.

A maioria testemunha a tragédia ao mesmo tempo em que a registra, seja câmeras profissionais ou de celulares. Não por acaso, o YouTube foi a principal referência do novato John Swetnam ao escrever o roteiro.

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Imagem do filme 'No Olho do Tornado'

"Não fiz muita coisa além de passar horas na internet", brinca, em entrevista ao iG. "As pessoas citam bastante 'Twister', mas minha primeira lembrança quando se fala em tornado é um vídeo a que assisti no YouTube. Hoje, vemos as coisas de forma diferente." 

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Para o diretor, a ideia de usar diferentes tipos de gravações e tomadas "amadoras" ajudou a tornar a história mais próxima do público. "Muitas vezes a câmera certinha tira o espectador da ação. É bom bagunçar um pouco as coisas para dar uma sensação de realismo", afirma.

O formato fez com que muitos atores tivessem de aprender a operar a câmera durante as filmagens. "Foi interessante passar para o outro lado e saber que o que eu filmava estaria na tela", diz Arlen Escapeta, que interpreta um dos caçadores de tornado. "Levei o trabalho muito a sério, mas também foi divertido."

A busca por realismo levou o diretor a optar por não utilizar o 3D, como se esperaria de um filme que quer dar ao público a sensação de estar no meio do tornado. "Ninguém tem câmera 3D e achei que utilizá-lo violaria a ideia de ver um filme contado por câmeras diversas", justifica. "Foi uma decisão artística."

Efeitos especiais

Frequente colaborador de James Cameron, inclusive em "Titanic" e "Avatar", Quale utilizou a experiência como supervisor de efeitos visuais para realizar "No Olho do Tornado", seu segundo longa como diretor. 

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O diretor Steven Quale no set de 'No Olho do Tornado'

Desta vez, optou por combinar tanto os efeitos criados por computador (como nos tornados e na destruição causada por eles) quanto os práticos. Chuva e vento, por exemplos, foram criados artificialmente no set.

"Um bom mágico sempre muda seus truques", compara Quale. "Se você usa a mesma técnica o tempo todo, a plateia percebe."

Com orçamento de cerca de US$ 50 milhões (quase R$ 115 milhões), o longa foi filmado em Pontiac, Michigan, durante o verão norte-americano, o que significou um desafio para a equipe: todos os dias, enormes guindastes, andaimes e panos cinzas eram usados para "escurecer" o céu ensolarado.

Mesmo contando com dublês, os atores passaram grande parte das filmagens lidando com chuva, vento e roupas molhadas. Alycia Debnam-Carey, que interpreta uma adolescente presa em um galpão durante a passagem dos tornados, gravou várias cenas em uma fossa com 10 mil galões de água. "Quando as filmagens acabaram pensamos: 'Graças a Deus'. Mas foi uma experiência incrível, ainda que muito dura", afirma.

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Richard Armitage e Sarah Wayne Callies em 'No Olho do Tornado'

Muito da preparação do elenco também veio dos vídeos no YouTube, além de reality shows do Weather Channel e conversas com especialistas em meteorologia. Para Sarah Wayne Callies, um dos pontos de interesse do filme é mostrar como pessoas comuns reagem de diferentes formas a situações extraordinárias.

"Você nunca sabe como vai se comportar nessas circunstâncias até vivê-las. De todos os filmes da temporada, não estamos de uniforme, não somos super-heróis. Somos apenas um monte de gente que está trabalhando. No fim do filme, um novo grupo de pessoas emerge daquela situação."

Intérprete do líder dos caçadores de tornado, Matt Walsh disse entender o que faz com que eles tentem chegar tão perto da tempestade, quando o natural seria fugir dela.

"Não há nada mais incrível do que um fenômemo que passa sobre você e leva tudo. É algo notável e que interessa ou fascina a todos. Algumas pessoas gostam de observar em segurança, outras vão para o centro daquilo."

O diretor acha que fascínio semelhante explica a popularidade dos filmes de desastre em Hollywood. "Somos fascinados pelas coisas que mais nos assustam", diz. "Há algo na natureza humana que o faz pensar sobre como seria estar no meio de um tornado. No cinema, você pode ter esta experiência, sabendo que está seguro e que vai ficar tudo bem."

Veja o trailer de "No Olho do Tornado":

* A repórter viajou a convite da Warner Bros.

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