As marcas do cinema de Woody Allen

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Veja as principais características dos filmes do diretor de "Magia ao Luar", que estreia nesta quinta-feira (28)

Um dos diretores mais prolíficos de Hollywood, Woody Allen lançou mais de 40 filmes desde sua estreia nas telas, com "O Que Há, Tigresa?", de 1966. O mais recente, "Magia ao Luar", chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (28).

AP
O diretor Woody Allen

A extensa filmografia de Allen revela um artista de estilo inconfundível, famoso por escrever bons diálogos; dar vida a personagens neuróticos; ambientar suas histórias em Nova York e, mais recentemente, em cidades europeias; e criar papéis femininos marcantes, principalmente para as atrizes Diane Keaton e Mia Farrow.

Veja as principais características do cinema de Woody Allen:

Muitos papéis para si mesmo

Allen costuma ter múltiplas funções em cada um de seus filmes: além de roteirista e diretor, também atuou em várias produções. Em geral, seus personagens são homens parecidos com ele: artistas, nova-iorquinos e neuróticos. Allen costuma contar história de pessoas em busca de um propósito, que transitam entre o cinismo e a esperança.

Divulgação
A partir da esquerda, em sentido horário: Woody Allen em 'Noivo Neurótico, Noiva Nervosa', 'Hannah e Suas Irmãs', 'Todos Dizem Eu Te Amo' e 'Para Roma com Amor'

Boas personagens femininas

Se Hollywood é notória por deixar as mulheres de lado, reservando poucos e piores papéis para as atrizes, Allen representa uma saudável exceção. O diretor encheu a tela de bons papéis femininos, das primeiras e principais musas - Diane Keaton e Mia Farrow - às mais recentes - Scarlett Johansson e Penélope Cruz -, passando por Diane Wiest (ganhadora do Oscar por por "Hannah e Suas Irmãs" e "Tiros na Broadway"), Mariel Hemingway (a Tracy de "Manhattan"), Judy Davis (parceira de vários filmes e destaque de "Maridos e Esposas"), Radha Mitchell (dose dupla em "Melinda e Melinda"), entre outras.

Leia também: As mulheres nos filmes de Woody Allen

Em geral, as mulheres de Allen são complexas, inteligentes e têm muito a dizer. São raras as personagens femininas de Allen que funcionam apenas como "a mãe" ou "a namorada". "Os homens nunca foram representados de forma superior", disse o diretor ao "The New York Times". "Geralmente eles são inferiores, porque são menos 'pé no chão' do que as mulheres."

As musas de Woody Allen: Diane Keaton, Mia Farrow, Scarlett Johansson e Penélope Cruz. Foto: DivulgaçãoDiane Keaton em 'Noivo Neurótico, Noiva Nervosa' (1977). Foto: DivulgaçãoDiane Keaton em 'Manhattan' (1979). Foto: DivulgaçãoMariel Hemingway em 'Manhattan' (1979). Foto: DivulgaçãoMia Farrow em 'A Rosa Púrpura do Cairo' (1985). Foto: DivulgaçãoMia Farrow em 'Simplesmente Alice' (1990). Foto: DivulgaçãoDianne Wiest em 'Hannah e Suas Irmãs' (1986). Foto: DivulgaçãoDianne Wiest em 'Tiros na Broadway' (1994). Foto: DivulgaçãoAnjelica Houston em 'Crimes e Pecados' (1989). Foto: DivulgaçãoAnjelica Houston em 'Um Misterioso Assassinato em Manhattan' (1993). Foto: DivulgaçãoMira Sorvino em 'Poderosa Afrodite' (1995). Foto: DivulgaçãoJudy Davis em 'Maridos e Esposas' (1992). Foto: DivulgaçãoJudy Davis em 'Desconstruindo Harry' (1997). Foto: DivChristina Ricci em 'Igual a Tudo na Vida'. Foto: DivulgaçãoRadha Mitchell em 'Melinda e Melinda' (2004). Foto: DivulgaçãoScarlett Johansson em 'Ponto Final - Match Point' (2005). Foto: DivulgaçãoScarlett Johansson em 'Scoop - O Grande Furo' (2006). Foto: DivulgaçãoPenélope Cruz em 'Vicky Cristina Barcelona' (2008). Foto: DivulgaçãoPenélope Cruz em cena de 'Para Roma Com Amor' (2012). Foto: DivulgaçãoCate Blanchett em 'Blue Jasmine' (2013). Foto: DivulgaçãoEmma Stone em 'Magia ao Luar' (2014). Foto: Divulgação

Referências culturais

Os filmes de Allen são cheios de referências a outros diretores, além de obras da literatura, da filosofia e da música, especialmente o jazz. Um dos artistas mais citados é o diretor sueco Ingmar Bergman, um dos favoritos de Allen, que inspirou, por exemplo, o tema e o tom de "Interiores" e "A Outra", além de uma paródia em "A Última Noite de Bóris Grushenko".

Divulgação
Cena de 'A Última Noite de Bóris Grushenko', de Woody Allen, faz referência a 'O Sétimo Selo', de Ingmar Bergman

Nova York

Nos últimos anos, atrativos financeiros levaram Allen a filmar na Europa: ele foi, por exemplo, à Inglaterra em "Ponto Final" (2005), à Espanha em "Vicky Cristina Barcelona" (2008), à França em "Meia-Noite em Paris" (2011) e à Itália em "Para Roma Com Amor" (2012).

No entanto, não há dúvida de que a cidade mais identificada à obra do diretor é Nova York, onde ele nasceu. O vídeo abaixo mostra o início do filme "Manhattan", no qual o personagem de Allen fala sobre a cidade:

Narração e diálogos para a câmera

Como em "Manhattan", a narração é presente em vários filmes de Allen. O diretor também gosta de criar personagens que falam com o espectador, direto para a câmera. Às vezes é ele mesmo quem se dirige ao público, como em "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", às vezes são outros atores, como Larry David em "Se Nada Mais Der Certo". Veja o trailer:

Créditos simples, jazz ao fundo

Muitas vezes é possível identificar um filme de Woody Allen antes mesmo de ele começar. O diretor tem o hábito de repetir sempre o mesmo estilo na hora de colocar os créditos: tela preta, o título do filme em branco e uma canção de jazz de trilha sonora.

Reprodução
Muito filmes de Woody Allen começam com tela preta, título em branco e jazz de trilha sonora


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