Atriz britânica intrepreta uma dona de restaurante no longa "A 100 Passos de um Sonho"; leia entrevista

Reuters

Helen Mirren, a atriz britânica vencedora do Oscar que já interpretou rainhas, aristocratas e uma modelo de meia-idade para um calendário, finalmente conseguiu o papel que seu coração há muito desejava: uma francesa.

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Helen Mirren em 'A 100 Passos de um Sonho'
Divulgação
Helen Mirren em 'A 100 Passos de um Sonho'

No romance da Walt Disney "A 100 Passos de um Sonho", que estreia este mês, Mirren assume o semblante sisudo de Madame Mallory, a proprietária de um restaurante com estrelas do guia Michelin no sul da França, que entra em conflito com uma família indiana que passa a administrar um restaurante no outro lado da rua.

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O filme também é estrelado pelos atores Om Puri e o indiano-americano Manish Dayal e foi feito com o apoio de Steven Spielberg e Oprah Winfrey como produtores.

Aos 69 anos, Mirren falou à Reuters sobre o papel de francesa, como ela escolhe seus papéis e de que como é mais fácil encarar a críticas aos filmes do que às peças de teatro.

A atriz Helen Mirren
AP
A atriz Helen Mirren

Pergunta: O que a atraiu neste filme?
Helen Mirren: Havia um monte de atrativos. O primeiro telefonema foi de Steven Spielberg. É aquele momento clássico (sussurra): "Steven Spielberg! Oh, yes!"
E então, muito rapidamente vieram todos os tipos de benefícios: Ele seria filmado na França; eu poderia interpretar uma francesa - eu sempre quis interpretar uma francesa. É uma história maravilhosa, leve e cômica, mas uma história séria.

Pergunta: O que é tão intrigante sobre interpretar uma francesa?
Helen Mirren: Eu falo francês muito bem. Eu amo a França. Eu já trabalhei na França, no teatro, e eu sempre quis ser uma atriz francesa. Não uma atriz britânica ou norte-americana, eu queria ser francesa ou uma atriz italiana. Não dá, então isso é o mais próximo que eu poderia chegar.
Eu gosto da maneira que os franceses encaram as mulheres e eu gosto da maneira como as mulheres são abordadas em filmes franceses. Parece haver uma sofisticação, um requinte e uma realidade e uma complexidade sobre personagens femininas em filmes franceses que você não costuma encontrar em filmes de língua inglesa.

Pergunta: Qual é a complexidade do seu personagem?
Helen Mirren: Só o fato de ela administrar um restaurante, ela é uma mulher de substância, ela é uma mulher muito teimosa, mas ela é fundamentalmente decente, mas com uma mentalidade bem francesa sobre a maneira correta de fazer as coisas. Os franceses podem ser muito rigorosos sobre o que significa ser francês. Mas quando no filme isso se traduz em nacionalismo ou racismo, ela entende o problema nisso.

Pergunta: Como você escolhe os seus papéis?
Helen Mirren: Depende do que eu tenha acabado de fazer e, geralmente, o que eu escolho a seguir é uma reação contra o que eu acabei de fazer para tentar encontrar algo um pouco diferente. Onde é, como é o papel e com quem eu vou trabalhar.

Pergunta: Você tem uma preferência por trabalhos em filmes ou palco?
Helen Mirren: Eu prefiro filmar hoje em dia, só porque o teatro é tão desgastante e te consome tanto. Você não pode ir a lugar algum ou fazer qualquer coisa e parece que não tem fim... A cada dois ou três anos, me organizo para fazer teatro de novo, porque é muito assustador se você deixá-lo por muito tempo, você acaba perdendo o controle dos nervos.

Pergunta: Por que teatro a deixa nervosa?
Helen Mirren: A coisa boa é que, se um filme recebe críticas terríveis, você diz: "Bem, não é minha culpa". No teatro, você tem de se levantar e ir lá fazer, sejam críticas positivas ou negativas. Isso é psicologicamente difícil. Eu amo filme. Eu amo o fato de que você realmente não tem ideia se ele está funcionando ou não.

Pergunta: Existem diferenças entre fazer filmes norte-americanos e britânicos?
Helen Mirren: Na verdade não. O figurinista é o mesmo na França, Itália, Alemanha, Austrália. O diretor de fotografia é o mesmo cara. O cineasta sempre usa uma jaqueta de couro, seja homem ou mulher, sempre. Eles são os mesmos personagens. É engraçado. E os jornalistas são sempre como você.

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