Após campanha e ainda em reforma, Cine Belas Artes reabre neste sábado

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Trabalhadores correm contra o tempo para finalizar obras do cinema paulistano; ingressos custarão no máximo R$ 20

Cerca de 90 trabalhadores correm contra o tempo para finalizar a reforma do Cine Belas Artes, que reabre suas portas neste sábado (19), no mesmo local de sempre: a esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, em São Paulo. A reabertura acontece após três anos de fechameno e uma intensa mobilização popular pela manutenção do espaço.

O hall de entrada e da bilheteria do Cine Caixa Belas Artes. Foto: Luísa Pécora/iGTrabalhadores instalam letreiro do novo Belas Artes. Foto: Luísa Pécora/iGCadeiras já foram instaladas nas salas do Belas Artes. Foto: Luísa Pécora/iGTrabalhadores correm contra o tempo para concluir reforma do Belas Artes. Foto: Luísa Pécora/iGA bomboniere que funcionará no mezanino do Belas Artes. Foto: Luísa Pécora/iGTrabalhadores correm contra o tempo para concluir reforma do Belas Artes. Foto: Luísa Pécora/iGUma das salas do novo Caixa Belas Artes, que será reinaugurado no sábado (19). Foto: Luísa Pécora/iGTrabalhadores correm contra o tempo para concluir reforma do Belas Artes. Foto: Luísa Pécora/iG

"Não parece, mas vai estar pronto", garante André Sturm, administrador do cinema agora rebatizado de Cine Caixa Belas Artes. Nesta quarta-feira (16), o iG participou de uma visita de jornalistas ao local, na qual o clima foi comparado ao da correria para concluir os estádios e aeroportos antes da Copa do Mundo: as telas não foram instaladas em nenhuma das seis salas, pinturas de paredes e instalações de piso não estão concluídas, letreiros ainda estão sendo colocados e um forte cheiro de cola e tinta permeia o local.

Sturm explicou que a expectativa em torno da reabertura foi o principal motivo da pressa (a estreia tinha sido prevista para maio, mas atrasou por causa de um problema no ar condicionado). "Até meus amigos do futebol me perguntam quando vamos reabrir", conta. "Queremos superar logo esse estágio do Belas Artes fechado."

Fundada em 1943 como Ritz e rebatizado de Belas Artes nos anos 1960, a sala se tornou reduto de cinéfilos na região da Paulista, com programação voltada ao cinema autoral, longe da programação dos shoppings. 

Leia também: Belas Artes é símbolo do cinema de arte em São Paulo

Sturm, que também é diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), assumiu a administração em 2003. Em 2011, anunciou o fechamento da sala por causa da falta de patrocínio e da impossibilidade de pagar o aluguel do prédio. Um movimento popular coletou assinaturas e pleiteou a volta do cinema mesmo depois do fechamento, conseguindo o apoio da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT).

Letícia Godoy
André Sturm, administrador do Belas Artes e diretor do MIS

O secretário de Cultura, Juca Ferreira, ajudou a retomar o diálogo entre Sturm e o proprietário do prédio, e a assegurar o apoio da Caixa Econômica Federal, que investirá R$ 1,8 milhão ao ano nas operações do cinema, por um período de ao menos 5 anos.

"A cidade de São Paulo está de parabéns por ter se manifestado de forma tão incisiva", disse Ferreira, para quem apoio similar pode ajudar a salvar outros espaços culturais. "Hoje, temos 12 teatros ameaçados. É preciso que a cidade manifeste apoio."

Reforma

A reforma do Belas Artes, que custou R$ 7 milhões obtidos por financiamento privado, não alterou a quantidade e estrutura básica das salas, mas modernizou equipamentos e a parte estética. "Tirando as paredes, é tudo novo", define Sturm. "Mudou do fio elétrico ao ar condicionado."

O hall principal, da bilheteria, ganhou iluminação moderna e um grande espelho foi instalado em uma das paredes. O local também abrigará painéis fotográficos com temas como Alfred Hitchcock e expressionismo alemão, além de um mural intitulado "Belas Artes Meu Amor", com imagens do movimento pela volta da sala.

"O objetivo da reforma e de todos os detalhes é mostrar que ir ao Belas Artes continua sendo tão ou mais legal do que era", disse Bárbara Sturm, filha de André e responsável pela programação. "Há uma ode ao cinema autoral e antigo. Quisemos trazer este clima."

No mezanino, o mármore das paredes da escada foi restaurado e o piso será trocado. Nas salas, houve reformas nas cabines de projeção e troca de caixas de som, projetores, poltronas, carpetes e lâmpadas, além de um tratamento acústico para que não haja vazamento de som, uma reclamação dos visitantes do antigo Belas Artes.

Divulgação
Cena do filme Medos Privados em Lugares Públicos, de Alain Resnais

Três das seis salas terão projeções em película, e todas terão rampa de acesso, cadeira para obeso e lugar para cadeirante. Para a estreia, no sábado, estarão funcionando as salas 2, 3 e 4. No domingo está prevista a abertura da sala 1, a maior do complexo, e dali duas semanas, as salas do subsolo.

Um café no hall e uma bomboniere no mezanino venderão pipoca e refrigerante, mas também macarrons, brigadeiro gourmet e salgado vegano, este a preços um pouco mais altos.

Programação

Os ingressos custarão R$ 20 (inteira), com descontos para clientes da Caixa e promoções diversas. Às segundas-feiras, trabalhadores que mostrarem a carteira profissional ou o holerite terão direito à meia-entrada.

Uma das salas, a SPCine Aleijadinho, será dedicada a filmes nacionais e às mostras da Caixa Cultural, que já têm alguns temas definidos, como uma retrospectiva do diretor Gus Van Sant, o cinema paraguaio contemporâneo e longas brasileiros que não conseguiram chegar ao circuito comercial. 

Até quinta-feira (24), quando os filmes entram em cartaz no Brasil, o Belas Artes exibirá principalmente clássicos e filmes nacionais, além de "Medos Privados em Lugares Públicos", de Alain Resnais, exibido durante três anos e meio antes do fechamento.

"'Medos Privados' no Belas Artes já é uma lenda urbana de São Paulo", brinca Sturm. "Vai dar a sensação de que não se passaram três anos."

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