Em "O Teorema Zero", Terry Gilliam mostra futuro claustrofóbico e solitário

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Estrelado por Christoph Waltz, ficção científica mostra impacto da tecnologia nas relações humanas

"O Teorema Zero", que estreia nesta quinta-feira (10), aproxima o diretor Terry Gilliam de dois de seus filmes mais conhecidos: "Brazil", lançado em 1985, e "Os Doze Macacos", de 1995.

Apesar das histórias e personagens diferentes, os longas funcionam como uma espécie de trilogia informal, na qual Gilliam retrata um futuro problemático. Em "Brazil", há a burocracia; em "Os 12 Macacos", um vírus epidêmico; em "O Teorema Zero", a dependência de uma tecnologia que escraviza o homem e afeta suas relações.

Imagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Teorema Zero'. Foto: Divulgação

O futuro do novo filme não é tão distante e o protagonista é Qohen Leth (Christoph Waltz, com cabelo e sobrancelhas raspadas para fazer o público esquecer dos filmes de Quentin Tarantino), um solitário gênio da computação que mora no deprimente prédio de uma antiga igreja, em meio a ratos, móveis quebrados e pouca luz.

Seu maior sofrimento é a angustiante espera por um telefonema no qual, acredita, lhe será explicado o sentido da vida. Para consegui-lo, aceita a missão dada por uma figura misteriosa: resolver o chamado "teorema zero", fórmula matemática que busca determinar se a vida possui, afinal, algum sentido.

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Qohen passa dias trabalhando no teorema, o que consiste basicamente em encaixar blocos de equações numa espécie de Tetris para videogame. Diante da impossibilidade de resolver a fórmula, ele fica cada vez mais desconcertado e insatisfeito, mas é impedido de desistir por profissionais enviados pelo chefe: uma psiquiatra (Tilda Swinton), um jovem hacker (Lucas Hedges), o supervisor (David Thewlis) e a sedutora Bainsley (Mélanie Thierry), que promete ajudá-lo com encontros e sexo virtuais.

Divulgação
Cena do filme 'O Teorema Zero'

Uma frase dita pelo supervisor resume bem o cerne do filme de Gilliam: "Você não consegue nada se está desconectado". "O Teorema Zero" discute, principalmente, se a tecnologia que deveria facilitar as conexões humanas não está, ao contrário, acabando com elas.

Há algumas boas cenas, como a de uma festa na qual os participantes usam fones de ouvido e escutam música em seus próprios aparelhos, não a ambiente. Mas, em geral, a discussão é muito menos eficiente e interessante do que, por exemplo, a promovida por Spike Jonze em "Ela", outro filme recente sobre o impacto da tecnologia nos relacionamentos.

O problema principal é que a história engenhosa, cheia de personagens, fórmulas e esquisitices, não resultou em um filme envolvente - pelo contrário. Gilliam gosta de criar universos nos quais o público deve entrar de cabeça, mas a tarefa é dura quando o mundo em questão é tão frio e matemático, permeado por ideias mal desenvolvidas e personagens pouco carismáticos.

No fim, "O Teorema Zero" parece um filme que não consegue chegar onde quer. Tem atores talentosos, mas apagados. Faz piadas irônicas, mas não diverte. Constrói um ambiente claustrofóbico, com cenas escuras e imagens fora de quadro, mas não incomoda. Mostra o futuro, mas não impressiona visualmente. Em resumo: não intriga como gostaria.

Veja o trailer de "O Teorema Zero":



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