Visual impecável e excelente atuação de Ralph Fiennes são grandes trunfos do longa que estreia nesta quinta-feira (3)

As primeiras cenas já entregam que "O Grande Hotel Budapeste", que estreia nesta quinta-feira (3), é um típico filme do diretor norte-americano Wes Anderson. Estão ali suas principais marcas: muitas cores, imagens simétricas, elenco numeroso e uma série de personagens excêntricos que parecem pertencer a um mundo diferente.

Mas se repete elementos de outros filmes de Anderson - famoso por títulos como "Os Excêntricos Tenenbaums", "A Vida Marinha com Steve Zissou" e "Viagem a Darjeeling" -, "O Grande Hotel Budapeste" também se destaca como um dos mais bonitos e inteligentes da carreira do diretor, contando uma boa história e indo além do visual impecável.

A trama cheia de idas e vindas começa quando um escritor relembra uma visita feita em 1968 ao Grande Hotel Budapeste, localizado nas remotas montanhas da fictícia nação de Zubrowska. Antes um ícone, o hotel está decadente nas mãos do enigmático proprietário Mr. Moustafa (F. Murray Abraham), que conta sua trajetória ao escritor.

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Abre-se uma história dentro da história, ambientada em 1932, quando Moustafa era conhecido como Zero (e interpretado por Tony Revolori) e trabalhava como assistente do concierge M. Gustave (Ralph Fiennes). Amante de poesia e perfume, atento aos mínimos detalhes, o concierge era a principal razão para muitos hóspedes se hospedarem ali - especialmente velhinhas ricas, a quem dava carinho especial.

Quando uma delas morre e Gustave é citado na herança, vira alvo de herdeiros e de um matador profissional. Zero tenta ajudá-lo a escapar, ao mesmo tempo em que começa uma história de amor com Agatha (Saoirse Ronan), uma jovem confeiteira.

Imagem do filme 'O Grande Hotel Budapeste'
Divulgação
Imagem do filme 'O Grande Hotel Budapeste'

Nota-se que "O Grande Hotel Budapeste" reúne muitas histórias e sobretudo muitos personagens, o que permite um desfile de ótimos atores (muitos deles colaboradores habituais de Anderson) como Bill Murray, Tilda Swinton, Owen Wilson, Jason Schwartzman, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel e Mathieu Amalric.

Mas quem brilha é Fiennes, em seu primeiro papel de destaque desde Voldemort, o vilão da série "Harry Potter". Ator talentoso e por vezes subestimado pela sutileza, o britânico revela ter timing cômico e muito carisma na pele de Gustave, definido no relato de Mustafa como "um lampejo de civilização no matadouro bárbaro que conhecemos como humanidade".

Vêm daí o humor, a melancolia e a sensibilidade de "O Grande Hotel Budapeste": do fato de o protagonista pertencer a um mundo que não existe mais, de ser uma figura amável, educada e elegante em meio aos horrores da guerra e do fascismo. Anderson usa o humor e a ironia para falar de temas difíceis, que não estão no quadro principal, mas sempre à espreita.

O diretor parece mais maduro, mais no controle dos personagens, da história e dos próprios maneirismos. O impacto visual continua grande, com cores marcantes, cenários grandiosos, tomadas amplas e imagens de elevadores, armários, corredores e até caixas empilhadas parecendo pertencer a um livro de belíssimas ilustrações.

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