Diversidade da floresta é destaque na coprodução franco-brasileira "Amazônia"

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Por meio da história de um macaco, filme faz um retrato realista do cotidiano da região e de seus animais

Reuters

A floresta é a grande protagonista de “Amazônia”, coprodução franco-brasileira, com orçamento de R$ 26 milhões, que chega ao circuito comercial brasileiro. Embora o papel principal do filme de Thierry Ragobert seja do simpático macaco Castanha (dublado por Lúcio Mauro Filho), a exuberância da diversidade natural da floresta amazônica é o que, inevitavelmente, chama mais atenção no longa.

Divulgação
Cena do filme 'Amazônia'

Foi o produtor francês Stéphane Millière quem teve a ideia de usar a história deste pequeno primata que se perde na mata, após a queda do avião que o levava para o circo em plena Amazônia.

Nas mãos do documentarista compatriota – Ragobert dirigiu documentários para a TV e para o cinema, como “O Planeta Branco” (2006) –, a obra ganhou um retrato realista do cotidiano da floresta e de seus animais, já que somente o acidente da aeronave exigiu o uso de animação e efeitos especiais.

Com o roteiro escrito a dez mãos, incluindo as do brasileiro Luiz Bolognesi, o protagonista adquiriu uma personalidade mais tupiniquim ao mostrar Castanha, um símio doméstico criado por uma menina no Rio de Janeiro, tendo de sobreviver em um ambiente selvagem depois do desastre.

Apresentado sem nenhum diálogo, só com as belas imagens da trajetória do macaquinho e a música de Bruno Coulais, “Amazônia” abriu o Festival do Rio do ano passado, além de ganhar o prêmio da WWF no Festival de Veneza de 2013.

Essa versão foi lançada comercialmente na França, mas, na Itália e na Alemanha a produção ganhou uma dublagem de acordo com as características do público local. O mesmo ocorre no Brasil, onde o corte mais contemplativo foi preterido em favor da inclusão da narração do Castanha, com a voz de Lúcio Mauro Filho, e alguns diálogos entre ele e outros animais.

Segundo os produtores brasileiros Fabiano e Caio Gullane, o objetivo é destacar a característica do longa como um filme para toda a família. É uma decisão que acaba tirando certo brilho da obra, que fez sucesso nos festivais justamente pela capacidade de se fazer entender, sem a necessidade de dar voz aos animais.

Outra questão é que os diálogos criados por José Roberto Torero, apesar das referências a filmes hollywoodianos e de conferir ainda mais simpatia ao protagonista, carregam um tom extremamente infantil, restringindo seu público-alvo.

De acordo com os próprios produtores, as crianças de 5 a 10 anos, seus pais e avós são aqueles que devem estar nas poltronas do cinema assistindo a esta aventura – quase uma mistura de NatGeo e Globo Repórter com Discovery Kids e “Rio 2” (2014).

Lúcio, que já tem experiência na dublagem com o protagonista de “Kung Fu Panda” (primeiro filme em 2008 e sequência em 2011), imprime docilidade e astúcia ao Castanha que constrói, junto com os quatro carismáticos macacos que dão vida ao personagem.

Isabelle Drummond, que já dublou a Fada do Dente em “A Origem dos Guardiões” (2012), porém, não consegue dar personalidade a sua Gaia, a fêmea que se torna o interesse romântico dele.

A relação entre os dois foi estabelecida no roteiro de Bolognesi, depois de conversas dele com biólogos, de acordo com o comportamento do animal: a rixa entre os mais jovens e o macho-alfa do bando e a criação do seu próprio grupo, após o acasalamento com uma fêmea.

Essa é uma das provas do cuidado da produção no que diz respeito à natureza. Sob a consultoria de Araquém Alcântara, fotógrafo da região, e de vários especialistas, a equipe passou 10 meses, no decorrer de três anos, filmando em Presidente Figueiredo (AM) e Boa Vista (RR), justamente para “esperar o tempo da floresta”, segundo Caio Gullane.

A fotografia do brasileiro Gustavo Hadba, de “Entre Nós” (2013), e dos franceses Manuel Teran e Jérôme Bouvier, de “B13 – 13º Distrito” (2004) e “Planeta Branco”, respectivamente, é fundamental para pôr a natureza em primeiro plano, no sentido figurado e literal.

Os insetos são vistos através de lentes macro e os outros animais estão constantemente em close-up. No caso do Castanha, a equipe utilizou o macaco mais carismático para ser o “ator” nestes planos.

Por isso, para quem assistir “Amazônia”, especialmente em 3D – utilizado de forma orgânica, conferindo bom resultado à produção –, a maior floresta tropical do mundo nunca mais será a mesma.

Se for levado em conta que ela, por vezes, atrai até mais o olhar estrangeiro do que o brasileiro, a superprodução tem como principal mérito justamente fazer com que o público nacional conheça melhor este bioma tão rico, diverso e importante para o clima de todo o país.

Leia tudo sobre: amazôniacinema

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas