Em vídeo, cineasta fala sobre seu primeiro longa-metragem, estrelado por Leandra Leal e Milhem Cortaz

Nem as favelas, nem as praias da zona sul do Rio de Janeiro aparecem em "O Lobo Atrás da Porta" , longa de estreia do diretor Fernando Coimbra que chega aos cinemas nesta quinta-feira (5). Ao narrar um triângulo amoroso com final trágico, ele optou por filmar no subúrbio da cidade, pouco retratado pelo cinema nacional.

Crítica: "O Lobo Atrás da Porta" mostra crime e triângulo amoroso em subúrbio do RJ

"O subúrbio do Rio de Janeiro é a maior parte do Rio de Janeiro, onde está a maior parte das pessoas", diz Coimbra, em entrevista ao iG. Em busca de credibilidade, ele usou casas de famílias de classe média como locação e passou longe dos pontos turísticos, mostrando o Cristo Redentor apenas uma vez, na cena inicial. "Você vê ele lá longe, mas ele está de costas. Vamos mostrar o lado B do Rio de Janeiro: nem o Cristo está olhando para ele."

Vídeo: "Internet está abrindo portas ao cinema brasileiro", diz Leandra Leal

Veja a entrevista com Fernando Coimbra:

"O Lobo Atrás da Porta" conta a história de Bernardo (Milhem Cortaz) e Rosa (Leandra Leal), casal que se conhece em uma estação de trem e começa uma relação amorosa, apesar de ele ser casado. Quando a filha de Bernardo é sequestrada, os dois vão à delegacia contar sua versão do caso, deixando o espectador tentando entender quem, afinal, conta a verdade.

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Para escrever o roteiro, Coimbra se inspirou livremente em um caso real dos anos 1960, no qual uma mulher conhecida como Fera da Penha foi acusada de sequestrar e assassinar uma criança. A ideia era deixar que o espectador, e não o filme, julgasse os personagens. "Cada um vai contar sua versão e acho que o público vai ter que fazer a sua verdade", afirma. 

Após "O Lobo Atrás da Porta" vencer o Festival do Rio e ganhar prêmios em países como Estados Unidos, Cuba e Espanha, Coimbra defende que o cinema brasileiro não foque apenas no mercado interno, mas também busque carreira internacional.

"O Brasil está mudando muito e o cinema está mudando junto. Ainda há um dificuldade de compreender o que é o cinema brasileiro hoje, que não é só filme de favela, de miséria. A gente quer falar também da classe média e das transformações desta classe média."

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